— Meu nome é Mabel Hollister — disse a segunda candidata loira de olhos azuis e... interessante (só que não), tinha também uma tatuagem de coração no dedo anelar. — Sou influencer digital e ex participante do reality show “O dia a dia de garotas incríveis”. — ajeitou a blusa, deixando o decote da blusa ainda mais profundo. — eu tenho muitos seguidores.
O quê???
Quando os três me olharam, pigarreei. Tive dúvidas se estava no lugar certo e se entendi corretamente quando me ligaram para aquela entrevista.
— Maria Fernanda Lorenz — Pausei. — E adivinhem? Sou babá... freelancer. E… no momento, estou desempregada.
Algumas sobrancelhas se ergueram. Foda-se! Era verdade.
O homem dos olhos mais lindos do mundo apoiou os cotovelos na mesa nas laterais da poltrona onde sentava e disse, de forma tranquila, como se nunca antes na vida tivesse agido feito um doido.
— Cada candidata pode fazer uma única pergunta a respeito do emprego — avisou. — Eu responderei.
Mabel foi rápida:
— O salário é realmente aquele informado?
Ele assentiu, sem teatralidade:
— É.
O silêncio que veio depois foi quase cômico. Olhares arregalados, respirações presas. Eu mesma precisei lembrar de piscar. Ou seja, independente de ser modelo, influencer ou qualquer raio que o parta, todas estavam ali pelo dinheiro.
Ao menos eu pensei aquilo até a segunda pergunta, vinda de Shirley:
— O senhor é casado?
Ele demorou um pouco para responder:
— Não.
Suspirei antes de perceber. Um alívio involuntário que me denunciou por um segundo. Deus era bom: ele não era casado!
Cruzei as pernas, tentando me recompor. Novamente o olhar do homem para mim confirmava que era a minha vez. Era para ser só um simples olhar... e... todo mundo tinha olhos. Então, por que, os dele mexiam tanto comigo?
— Posso perguntar sobre o menino? Ele já tem babá? Como é o comportamento dele? E… como ele se sente com relação a ausência da mãe?
O olhar dele se fixou em mim. Aliás, nunca tinha deixado de fixar-se.
— Eu disse uma pergunta — corrigiu, calmo. — Não quatro.
Assenti, sem me ofender:
— Então… o comportamento — escolhi.
— Próxima parte: quero que me falem o que sabem a respeito destes medicamentos: Prometazina, Metilfenidato e Zolpidem.
Arqueei uma sobrancelha, confusa. Mas depois entendi. Acho que naquela parte eu me sairia bem. E fiquei feliz por ter cursado alguns semestres de faculdade na área da saúde.
As duas outras candidatas ficaram em silêncio. Uma olhava para baixo, como se nunca tivesse ouvido aquilo na vida. A outra olhou para o celular. Mas quando observou o homem analisando-nos, optou por não usar.
— A prometazina é um anti-histamínico de primeira geração, com forte efeito sedativo. — tomei a palavra, orgulhosa de mim mesma. Eu sempre fui uma ótima aluna — é normalmente usada para alergias, náuseas e vômitos. Metilfenidato é um psicoestimulante indicado principalmente para o tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Aumenta o foco, atenção e estado de alerta. Davi tem TDAH? É alérgico? — questionei, curiosa.
— E o Zolpidem, Maria Fernanda? — questionou, seco.
— Zolpidem é um medicamento hipnótico, indicado principalmente para o tratamento de curto prazo da insônia. Não é um calmante comum, nem um analgésico. Atua diretamente no cérebro, induzindo o sono. Ele... é contraindicado para crianças.
— Sabe os efeitos colaterais do Zolpidem em adultos?
— Claro que sim — falei com propriedade — causam sonolência, confusão mental, desorientação temporal, diminuição do senso crítico, dificuldade de concentração e amnésia parcial.
Ele jogou a cabeça para trás e sorriu, parecendo satisfeito com as minhas respostas.
Ponto para mim. A modelo e a ex reality show perdiam naquele quesito. Aliás, eu acho que toda babá deveria cursar alguns semestres na área da saúde. Isso evitava administrar algum medicamento errado.
Bocejei, sem querer. Eis o efeito do Dramin no meu corpo. Melhorou o enjoo, mas o efeito colateral veio na mesma intensidade.

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