— O que você quer, Enzo? — ela deu um passo para trás.
— Você só pode fazer uma ligação. Terá que escolher entre Will ou seu pai.
Ela riu:
— Quer que eu escolha quem é a pessoa mais importante na minha vida?
— Mais ou menos isso.
— Ok. Aceito. Segunda condição.
— Eu quero um abraço.
Ela gargalhou:
— Nem nos seus sonhos.
— Nos meus sonhos a gente faz muito mais do que se abraçar.
— Abraços são meio de afeto. E eu não sinto afeto por você.
— É mentira. Você sente o mesmo que eu.
Maçãzinha me encarou:
— Não fale por mim, Enzo. Você não sabe o que eu sinto.
— Mas sei o que eu sinto. É forte. Tão forte que me machuca por dentro. Tão forte que eu tenho vontade de não fazer nada na vida, a não ser ficar ao seu lado, tocando-a... e dizendo o quanto eu te... — parei. Não era um bom momento para dizer o quanto eu a amava.
— Entendo completamente o que você sente — ela sorriu, mais carinhosa — eu também sinto isso. Machuca profundamente, porque vai contra todos os meus princípios. É tão forte que eu não tenho vontade de fazer mais nada na vida a não ser te matar.
Arregalei os olhos. Talvez eu devesse deixá-la no quarto de hóspedes de agora em diante. Eu não podia arriscar de deixar meu filho órfão. Maçãzinha não brincava em serviço. Zolpidem parecia ser o menor dos meus problemas.
— O celular. — ela insistiu.
— O abraço. Quanto mais resistir, mais tempo terá que esperar.
Ela respirou fundo:
— Posso fazer uma ligação. Isso?
— Sim. — confirmei.
— E você está propondo que seja para a pessoa mais importante na minha vida.
— Sim.
— Moleza — ela sorriu e abriu os braços.
Fiquei receoso. Eu sempre tinha que ter cautela com Maçãzinha.
— Eu também.
Embora o corpo dela demonstrasse saudade e sentimento verdadeiro, a voz foi neutra, desprovida de emoção.
Ela me soltou.
— Não tenho como suportar a sua bipolaridade. — suspirou, limpando as lágrimas que voltaram aos seus olhos.
— Eu não sou bipolar, Maçãzinha. Eu sou simplesmente... inseguro. Minha cabeça está dando um nó e... — tentei conter a vontade que eu tinha de gritar o quanto a amava e aquilo me doía. — eu realmente penso uma coisa e minutos depois estou pensando em outra completamente diferente. Só que todas elas envolvem você.
— Entendo. Pouco, na verdade. Eu acho que posso estar enganada e não ser bipolaridade e sim transtorno de personalidade, de humor ou o raio que o parta — me direcionou o braço — quero o telefone. Você prometeu.
Tudo meramente planejado. Ela realmente não quis me abraçar.
Entreguei-lhe o celular, afinal, eu havia prometido.
— Ok, faça a sua ligação. — me dei por vencido.
— Obrigada — ela ficou na ponta dos pés e me deu um beijo.
Senti o sangue correr mais forte e quente pelas minhas veias.
— Uma ligação, para a pessoa mais importante da minha vida — sorriu e fez a ligação — Michael? — sorriu — Eu precisava tanto ouvir a sua voz. Não aguento mais de saudade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...