— A história dos meus pais nunca foi um conto de fadas. Minha mãe renunciou à herança para ficar com ele. E ele escolheu a si mesmo, não a família. Hoje acho que foi só um negócio que os uniu. Eles brigavam muito, sempre pelas traições do meu pai. Ele provavelmente tinha outra família, a do meu irmão bastardo. Nós temos a mesma idade, então o caso era antigo. Ele mantinha duas famílias, mas a minha era a que ele menos se importava.
— Como você se sente com relação a isso?
— Eu... — bem, eu não tinha certeza de como Enzo reagia frente a isso — Eu... tenho tentado criar laços.
— E a família da sua mãe?
— É a escória da sociedade.
A psiquiatra arqueou uma sobrancelha:
— Como assim?
— Eram piores que a família do meu pai.
— Você tem contato com a família da sua mãe?
— Na verdade não. Metade morreu e a outra metade está presa.
A doutora pigarreou.
— Sim, doutora, sei que é bem estranho. E ainda assim, quando eu digo que são mafiosos, ninguém acredita.
— Como você lidou com tudo isso durante a sua infância, adolescência e fase adulta?
— Virei paranoica e bipolar.
— Diagnosticada?
— Não. Eu vim aqui para a senhora me diagnosticar.
— Não se pode fazer isso em um único atendimento.
— Mas eu lhe contei coisa pra caralho. Então não saio daqui sem uma resposta. Não tem como eu não ser lesada, entende? Eu só quero saber se tem cura.
— Bem...
— Antes de me dar o diagnóstico, faltou uma coisa.
— Ainda tem mais? — ela franziu a testa e arregalou os olhos.
— Sim. Minha mãe tentou matar... o meu irmãozinho.
— Meu Deus! E o que aconteceu com ela? Pagou pelo crime? Foi presa? Internada numa clínica psiquiátrica?
— Não foi presa... porque... já estava morta.

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