POV AAYUSH
O plano de Maria Fernanda era simplesmente a coisa mais absurda que já ouvi na vida. E também a mais inteligente. Se Enzo não desconfiasse de nada, certamente ao final teríamos atingido o objetivo. Porém, caso ele descobrisse, seríamos prisioneiros dele para o resto da vida. E, com muita sorte, ficaríamos vivos.
Era arriscado e ao mesmo tempo ousado. Apesar de tudo, mesmo Enzo desconfiando de Maria Fernanda, ela ainda estava segura e numa zona de conforto, pois ele a protegia. Mas se ele soubesse que foi enganado, e dessa vez teria provas concretas, dona Maçãzinha estaria fodida. E eu também. Mas como eu já estava fodido mesmo, não custava ajudá-la.
— Assim como eu imaginava, Enzo não é desse jeito porque quer. O passado dele o tornou assim.
— Acredito que sim, Maria Fernanda. Os Asheton têm um passado traumático. E o que o pai deles fez, deixando a herança para o senhor Zadock, os separou para sempre. Destruiu um relacionamento entre irmãos que praticante já iniciou fadado ao fracasso.
— Eu realmente quero curar Enzo e provar a minha inocência, Aayush. E eu tenho certeza de que Shirley é a culpada. Ela dopou Davi. E certamente fez isso com Enzo naquela noite que o encontrei na boate.
Eu sabia que não tinha como Shirley ter dopado Enzo em momento algum naquela noite em que ele e Maria Fernanda se conheceram. Ainda assim eu imaginava que Shirley não valia nada e provar a Enzo que ela maltratava sua Maçãzinha era o mínimo que podíamos fazer. Até porque, ele desconfiava dela. Então não seria muito difícil convencê-lo de que a babá anzol era, de fato, a nossa inimiga naquela casa.
— Eu vou ajudá-la, Maria Fernanda. Porque desejo que você e o senhor Enzo possam enfim viver o amor que sentem um pelo outro, sem ninguém no caminho de vocês. Acho que muitas pessoas já tentaram intervir e destruir o sentimento que vocês nutrem um pelo outro... desde... sempre. — eu fui sincero, pois sabia que jamais teria chance de algum dia ser amado por ela.
Então, exatamente por amá-la, eu a queria feliz e protegida de tudo. Melhor que ninguém, eu sabia o quanto a vida podia ser cruel com pessoas como nós. Enzo poderia dar a Maria Fernanda uma vida completamente diferente da que ela tinha.
Maria Fernanda riu, parecendo triste com aquele gesto que deveria significar felicidade:
— Não, Aayush. Agora, pensando em tudo que aconteceu, eu percebo que o meu “felizes para sempre” com Enzo não irá acontecer. Por mais que eu prove, qualquer coisa ruim que houver, ele sempre vai me culpar. Serei sempre o seu alvo.
— Mas você acabou de dizer que ele tem cura.
— Depois de tudo que Enzo fez comigo, não há perdão. Provarei minha inocência. Ou melhor, acusarei Shirley e o farei se sentir culpado por tudo que me fez. E depois irei partir, para nunca mais voltar.
— Mas... tem o bebê. — olhei para a barriga dela, que parecia crescer mais a cada dia.
— O bebê é meu. Enzo jamais saberá o meu paradeiro. Ao menos não na Índia. — ela sorriu.
Índia? Não, eu jamais a levaria para a Índia. Apesar de todos os percalços que ela e Enzo enfrentaram, eu sabia que ficarem juntos era só uma questão de tempo.
— A forma como ele desconfiou de mim não tem perdão, Aayush. Ele me feriu. Nunca me deu o benefício da dúvida.
— Talvez... ele tenha dado. — abaixei a cabeça, porque não consegui olhar nos olhos dela.
— Não, ele nunca deu. Culpou a mim e decidiu que Shirley era inocente, sendo que eu sempre tentei proteger Davi. Eu amo aquele menininho... incondicionalmente.
Na verdade, Enzo desconfiou sim de Shirley. Aliás, desde o início desconfiou. Mas eu fiz com que ele acreditasse que a babá com a maçã errada estava sendo sincera. Eu era pago para descobrir as coisas para Enzo e lhe manter informado. Mas ocultei a verdade, num momento em que ela era crucial.
Olhei Maria Fernanda, ficando um tempo imerso em seus olhos azuis claros, tão cheios de vida, tão perfeitos, tão determinados e ao mesmo tempo tão distantes. Maria Fernanda merecia saber a verdade. Mesmo que essa verdade me prejudicasse e fizesse com que ela perdesse toda a confiança em mim.
— Preciso lhe contar uma coisa, Maria Fernanda.
Ela olhou ao redor e sorriu:
— Estamos num banheiro, Aayush. Se alguém descobrir, estamos mortos.
— Se não for agora, talvez não haja outra oportunidade.
— O que é, Aayush? — ela arqueou uma sobrancelha.

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