POV Maria Fernanda
Eu ouvi a voz de Enzo longe. Tentei abrir os olhos, mas não consegui. Senti as mãos dele balançando-me, mas não conseguia reagir. Parecia que realmente fui dopada com Zolpidem e não que aquilo tudo fazia parte de uma lição que eu e Aayush decidimos dar Enzo. Aos poucos as palavras que ele dizia foram diminuindo... até que cessaram.
Despertei e senti uma moleza no corpo ainda mais forte do que nos outros dias. Espreguicei-me e bati o braço em algo. Era o meu marido. Ele não tinha derretido na sauna.
Suspirei e empurrei ainda mais o braço, atingindo o pescoço dele propositalmente. Enzo acordou num sobressalto, sentando-se na cama, com os olhos arregalados.
— Você... tentou me matar? — tocou o pescoço. — Que porra você fez?
Alonguei meus braços e depois fiz movimentos lentos com o pescoço, de um lado para o outro, conforme orientação médica.
— Eu injetei uma substância letal em você. Em alguns minutos o seu corpo paralisará. Em horas sentirá o veneno se espalhando em seu sangue. E, se não me engando, leva seis horas para chegar no coração. — bocejei.
Enzo se levantou, atordoado.
— Você não faria isso. — a voz soou baixa, quase em pânico.
O olhei, finalmente:
— Claro que faria. Já que você não quis morrer derretido, morra envenenado. Zolpidem tem sido muito fraco para você.
Enzo arregalou os olhos:
— Se não fosse Aayush ter me salvado, abrindo aquela porta, eu estaria morto nesse momento. E você nem teria se preocupado. Me deixou para morrer e foi... dormir? Você não tem sentimentos, Maçãzinha?
— O bebê levou tudo... até os meus sentimentos. Sugou para si mesmo tudo que eu tinha. — fui sincera e tentei me levantar da cama, sentindo uma tontura.
Foi como se minhas pernas se recusassem a me obedecer. Estavam moles.
Enzo correu para me amparar. Mas eu consegui cair direto na cama e não no chão.
— Você está bem, Maçãzinha?
Respirei fundo, enchendo os meus pulmões de ar. Pus a mão no quadril e falei:
— Eu odeio você.
Enzo arqueou uma sobrancelha:
— Você tentou me matar... e ainda tem a coragem de dizer que me odeia? Eu que deveria te odiar.
— Eu te odeio. Você não tinha o direito de me engravidar.

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