Quando chegamos na clínica, Enzo andava ao meu lado, com o braço sobre meus ombros, daquela forma protetora que significava muito mais “sou o marido e ninguém toca nela” do que “estou aqui ao seu lado porque te amo”. Davi estava com a mãozinha morna agarrada à minha.
Assim que vi Michael e Letícia, travei. Minhas pernas se recusaram a obedecer. Claro que eu fiquei surpresa de os dois estarem juntos. Mas o que mais me deixou tensa foi lembrar de toda a situação que ocorreu na última vez que vi Michael, onde Enzo destruiu sua vida profissional que mal tinha começado.
Michael abaixou a cabeça, evitando me olhar nos olhos. Enzo me puxou para si, ainda mais possessivo, provando que seu gesto não era protetor e sim de ciúme.
O silêncio foi tenso. Davi soltou a minha mão e caminhou em direção a Michael e Letícia:
— Eu conheço vocês. — sorriu, de frente para os dois.
Michael levantou-se, não podendo mais fingir que eu não estava ali. Enzo me puxou um passo para trás, temendo qualquer tipo de toque físico entre Michael e eu.
— Sua barriga... cresceu bastante. — ele sorriu.
— Não encoste nela. — Enzo advertiu.
Michael levantou os braços e abriu os dedos das mãos, como se estivesse se rendendo:
— Não irei tocar na minha melhor amiga, que simplesmente sumiu do mapa. — me olhou.
Eu ter sumido do mapa era o de menos. Olhei para Letícia e depois para Michael, tentando entender o que estava acontecendo.
— Nos acertamos. — Letícia disse, sorrindo com deboche.
Mal ela sabia que aquilo pouco me importava. Se Michael queria viver sendo corno, por mim tudo bem. Os galhos cresceriam na cabeça dele e não na minha.
— Não nos acertamos — ele sequer olhou na direção dela, fixando-se em mim — Letícia está grávida. E infelizmente o filho é meu. Estou com ela por causa do bebê.
— Entendo — suspirei — Enzo também está comigo por causa do bebê.
— Isso não é verdade! — ele apertou os dedos contra meu ombro — Você sabe que não é verdade.
Ignorei sua fala. Voltei-me para Michael:
— Estão aqui... pelo pré-natal? — questionei.
— Sim. E você... está fazendo o pré-natal direitinho? — sorriu, sem jeito, mas ao mesmo tempo gentil.
— Maçãzinha tem duas médicas a domicílio. A gravidez dela é de risco. — Enzo respondeu.
— Eu sei que a gravidez dela é de risco. Eu te disse isso. — a voz de Michael soou fria.
— O pré-natal da minha mulher não te diz respeito. — Enzo contradisse, entredentes.
— Pois se quer saber, não acho que suas médicas domiciliares estão cuidando direito da Fê. Ela está pálida. E com olheiras. A aparência dela não me parece, nem de longe, de uma pessoa saudável.
Franzi a testa, observando Michael. Ele estava me chamando de feia? Eu me olhava no espelho e ainda me achava bonita, mesmo com as transformações do meu corpo. Enzo, inclusive, ainda sentia atração por mim.
— Ela não tem olheiras — Enzo me defendeu — Maçãzinha dorme o dia inteiro. E as noites também.
— E você acha isso normal? — Michael riu, com sarcasmo.
— Grávidas sentem sono — Letícia se manifestou, com um olhar enfadonho — a cama é o lugar que mais me agrada no mundo atualmente.
Michael ignorou Letícia e tentou me tocar, sendo que Enzo deu dois passos para trás comigo, impedindo o contato.
— Você parece fraca, Fê. — Michael observou.
— Estão me obrigando a comer frutas e verduras, Michael. E isso é horrível. — confessei.
Ele sorriu:
— É o recomendado, Fê.
— Quem é você para falar isso para a minha esposa? — Enzo explodiu — ela está bem. Faz exames com frequência. Você não passa de um aspirante a médico, garoto zumbi, sendo que nunca conseguirá atuar na profissão.
— Realmente não vou conseguir. Porque você destruiu a minha reputação. E tornou a minha vida um inferno.
— Ninguém mandou você mandar a minha mulher abrir as pernas para você e relaxar. — Enzo acusou-o.

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