Enzo limpou minhas lágrimas. Davi ficou preocupado:
— Você... ficou chateada comigo, Maria?
Alisei o rostinho de Davi, que ainda trazia cicatrizes brandas do dia em que ele tentou fazer a barba:
— Eu não fiquei chateada com você. Pelo contrário, estou muito feliz porque disse que me ama. E eu também te amo, meu menininho — toquei a ponta do nariz dele — te amo infinitamente.
— Minha irmã vai ter uma mãe — ele sorriu de uma forma estranha, olhando para a tela, como se aquilo o atingisse de alguma forma.
Peguei seu queixo e o fiz me encarar:
— Eu não te amarei menos depois que sua irmã nascer, entende?
— Você promete?
— Eu prometo. — levantei meu dedo mindinho e cruzei com o dele.
Davi sorriu e perguntou:
— Maria... você ficou chateada quando eu pedi para você ser a minha mãe?
Arqueei uma sobrancelha, surpresa:
— Eu... não fiquei chateada. Eu nem... lembro de você ter me pedido isso.
— Eu pedi — ele abaixou a cabeça, envergonhado — mas pareceu que você não gostou muito.
— Pediu? — perguntei, confusa — Quando?
— Eu... acho que você estava com muito sono. — sorriu timidamente.
— Ser sua mãe seria um orgulho para mim, Davi. E... se quiser me chamar de mamãe... eu... vou ficar muito feliz.
Davi deu um sorriso enorme, mostrando os dentinhos pequenos e branquinhos, que se alinhavam perfeitamente:
— Mamãe... — pediu — podemos escolher um nome para a minha irmãzinha?
Olhei para Enzo, que estava mordendo o canto direito do lábio inferior, os olhos brilhando com as lágrimas que não deixou cair.
— O que acha de escolhermos o nome da nossa bebê... “papai”? — sorri, chamando Enzo para também participar daquele momento.
Enzo alisou meu rosto e limpou o vestígio das lágrimas:
— Eu acho que é um ótimo momento... “mamãe”. — sorriu-me de volta.
— Podemos chamá-la de Mary, mamãe? — Davi perguntou, ansioso.
— Mary... Lennox? — perguntei, sabendo exatamente a quem ele se referia.
— Sim, Mary Lennox, de “O jardim secreto”. — ele confirmou.
— Achei um ótimo nome, meu amor. Mas vamos deixar o Lennox de fora, está bem?
— Tudo bem — ele concordou.
— O que acha? — consultei Enzo.
Ele levantou os ombros, vencido:
— Poderia ser pior. Achei que Cindy Mancini venceria. — riu.
Quando saímos da Clínica, Michael e Letícia não estavam mais ali. Para que nos observasse, parecíamos uma família feliz e perfeita.
Mas... não éramos aquilo?
Tudo parecia um sonho. E sinceramente... eu não queria mais acordar. A única coisa que me faltava era Will e o meu pai. Quanto ao resto... eu poderia renunciar a tudo para ficar com Enzo e Davi.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO