Primeiro eu senti um nó no estômago, acompanhado de um enjoo forte. Tive vontade de vomitar ali mesmo. E sabia que não era por conta da minha quase gravidez. Foi nojo real do que ouvi.
Encarei Michael e cheguei a abrir a boca para dizer o quanto ele era idiota em acreditar em Letícia. Mas o que fiz foi respirar profundamente e sorrir:
— Nossa! Letícia é uma pessoa realmente especial.
Aprendi uma coisa com o próprio Michael: nem tudo era o que parecia. E na maioria das vezes as pessoas que mais amávamos eram as que mais nos magoavam.
Eu o escolhi para amar. E Michael, no fim, foi a pessoa que mais me decepcionou e me fez sofrer. E... ele parecia gostar de mim... não só como amiga. No fim, eu sempre estive enganada quanto aos sentimentos dele.
A diferença é que eu era uma boa pessoa. Nunca fiz nada para machucar alguém. Eu renunciei a muita coisa por aquele homem. Uma delas foi ocultar meus reais sentimentos, com medo de que ele não sentisse o mesmo e aquilo destruísse a nossa amizade.
Dizer o quanto Letícia era mentirosa e hipócrita só o faria acreditar ainda mais no meu despeito por ela. Um dia ele veria a real face da minha prima. E então perceberia que eu nunca estive errada. Só quer seria tarde demais. O meu amor por ele já não existiria.
Eu não estragaria o real prazer dele de conhecer Letícia como eu conhecia. E, pela primeira vez na vida, eu deixaria Michael se ferrar sozinho.
— Está sendo irônica. — ele me olhou.
— Ah, Michael... quer saber? Pouco importa o que você acha ou deixa de achar de mim. Se eu quiser ser irônica, serei. Estou na minha casa e ajo do jeito que eu achar melhor. Nem vou te dizer que o caminho de saída é a porta porque você já está na rua. — levantei — Fique a vontade para ir embora. Aposto que você tem coisa mais importante para fazer do que ficar aqui comigo.
— Tudo isso por que eu decidi enfim me declarar para Letícia? Somos amigos, caralho. — ele levantou e ficou na minha frente.
Respirei fundo e tentei me acalmar. Eu precisava botar a razão na frente da emoção. Michael estava certo. Eu gostava dele. Ele não gostava de mim. Ao menos não da forma como eu desejava. E eu não podia obrigá-lo a ficar comigo.
Eu paguei a faculdade dele porque quis. Michael nunca me pediu nada. Letícia colheria os louros? Sim, colheria. Mas para mim agora tanto fazia. Porque eu não sentia mais a mesma coisa por ele. O encanto tinha se quebrado.
Sem contar que, eu tinha problemas bem mais sérios naquele momento do que Michael e Letícia.
— Sinceramente, eu quero que você seja muito feliz com ela, Michael. —
— Eu não fui embora da sua festa de noivado, Michael. Teoricamente era um jantar em família e não uma festa.
— Mas você nunca saiu assim de um jantar em família. Você sempre gostou dessas coisas.
— Naquela noite eu não gostei. Pronto.
— Caralho... fala o que te deixou chateada, Fê. Se não disser, eu não tenho como adivinhar e ver o que posso fazer para que possa me perdoar e fazermos as pazes.
Mordi o lábio com força e o encarei. Eu sempre achei Michael lindo. Ele era alto e tinha um corpo atlético e bem definido. Sua presença era marcante. Tinha o maxilar forte e anguloso, coisa que poderia ser sem importância para algumas pessoas, mas que eu admirava muito num homem. O nariz era reto e perfeito. Totalmente proporcional ao conjunto facial. Os lábios eram médios.
Eu nunca consegui identificar direito a cor dos olhos dele. O tom era escuro, no geral, mas à luz do sol, as íris tomavam a tonalidade cor de mel. Sempre mantinha o cabelo num corte curto a médio, variando entre o clássico e o bagunçado de vez em quando.
Por que agora, comparando com Enzo Asheton, Michael parecia só... um garotinho que brincava de ser homem?

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