Eu ri:
— Ainda assim te perdoarei.
Maria Fernanda deitou a cabeça no meu peito. Senti sua respiração morna e abracei-a, uma das mãos alisando seus cabelos:
— Peço que confie e acredite em mim, meu amor. Não importa o que aconteça, lembre-se que eu te amo mais do que tudo. E protegerei você, Davi e Mary com a minha vida se for preciso.
— Sabe o que é mais engraçado? — as palavras saíram com mais lentidão.
— O que?
— Eu esqueço de tantas coisas... mas nunca de você e Davi.
— É normal a gente esquecer algumas coisas. Não fique preocupada.
Ela suspirou:
— Vai lá. Eu sei que você precisa organizar suas coisas no escritório.
— Vou trocar de roupa — avisei, dando um beijo no topo de sua cabeça.
Pus o primeiro terno que encontrei e borrifei algumas gotas do meu perfume favorito. Tudo isso não levou mais de dez minutos.
Quando saí do closet, deparei-me com Maçãzinha dormindo, de bruços, com metade das pernas para fora da cama.
Caralho, aquilo não estava certo! A ajeitei na cama e ela estava com o corpo completamente adormecido, mas não acordou.
Ouvi uma batida na porta e Pietra perguntou, no batente, sem entrar:
— Eu... posso tirar a bandeja?
— Claro.
Pietra entrou e pegou a bandeja vazia. Ela estava saindo quando perguntei:
— Pietra... eu que estou meio louco ou minha esposa dorme demais e o sono dela parece tão pesado que fica só seu corpo e a alma vai parar em outro mundo?
Pietra riu:
— Ela não dorme o tempo todo. Já a vi lendo, experimentando roupas e até cantando cantigas de ninar para o bebê. Acho que a senhora Maria Fernanda só prefere ficar no quarto, pois esse lugar lhe oferece conforto. Mas... ela está grávida, senhor. E isso é bem normal.
Normal não era. Ela foi dopada com Zolpidem e eu não sabia há quanto tempo aquilo acontecia. Mas tinha ficado claro, conforme a explicação da médica, que o efeito era de 4 horas no máximo. Então não fazia sentido ela estar daquele jeito.
— E os esquecimentos? São constantes?
— Eu... nunca a vi esquecendo nada. Pelo contrário, a senhora Maria Fernanda é ótima de memória. Vez ou outra eu esqueço onde guardei alguma coisa e ela sempre lembra o exato lugar das coisas, principalmente nesse quarto.
— Sim, imediatamente. Quero que ela faça os exames semanalmente.
— Isso... a deixaria bem machucada. A senhora Asheton já está com hematomas nos braços. Acho que deveríamos seguir... o tempo recomendado. Encontramos o Zolpidem e agora teremos cuidados redobrados. Porém não quero que ela entre em sofrimento. Uma gravidez já causa certo desconforto por si só. E mexe não só com o corpo, mas também com o estado emocional da mulher.
— Então quero que tenha todo cuidado do mundo com a minha esposa.
— Farei isso, senhor Asheton.
Eu estava indo para o meu escritório quando encontrei a babá anzol andando pelo corredor. Por que porra ela ainda estava ali? Ah, claro... esperando pela morte lenta e dolorosa.
— Olá, Shirley. O que você está fazendo aqui?
— Vim verificar as roupas do Davi para ver o que é preciso levar para lavar.
A encarei e abruptamente a pus contra a parede, pressionando meu corpo contra o dela. Shirley arregalou os olhos.
Beijei seu pescoço, sentindo vontade de vomitar. Seria tão difícil fazer aquilo.
— Depois que eu te vi na sauna... percebi o quanto você é... linda, Shirley. E disposta a alguns joguinhos sujos no sexo.
Ela gemeu e esfregou levemente o corpo no meu, totalmente previsível.
Agora era respirar fundo, não vomitar nela, não estrangulá-la, para seguir o plano.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...