Fingir que não recebi a ligação seria pior. Eu precisava fazer com que aquele homem entendesse que eu já tinha pagado o valor que peguei emprestado.
Com certa dificuldade agachei-me e peguei o celular:
— Não faça nada contra o meu irmão e o meu pai. — pedi.
— Não farei. Basta me pagar.
— Eu... teria que nascer de novo para poder te pagar esse valor. — fui sincera.
— Talvez o seu irmão e o seu pai paguem por você. Será que eles se atreveriam a falar comigo desse jeito?
Respirei fundo. Eu precisava levar em conta que aquele homem estava ameaçando a minha família.
— Senhor agiota... eu preciso de um tempo. — pedi.
Sim, eu precisava de um tempo mesmo. Um século talvez. Só assim eu juntaria o valor que ele me cobrava.
— Você... está bem? — Enzo apareceu.
— Sim — tentei sorrir.
— O que a sua amiga queria? — ele quis saber, desconfiado.
Bem, não custava fazer uma tentativa de saber o que Enzo pensava a respeito daquilo:
— Ela... soube que eu me casei com você. E... ligou pedindo dinheiro.
Houve um breve silêncio antes de ele perguntar:
— E o que você disse? — o tom foi sério.
— Que... o dinheiro é seu e não meu.
Enzo abaixou a cabeça por alguns segundos e depois me encarou:
— Ambição é o mal da humanidade.
— Concordo.
— Tudo que houve de ruim na minha vida foi por causa de pessoas ambiciosas que queriam o que era meu. E mesmo eu tendo me livrado de boa parte do meu patrimônio para não ser um alvo móvel, ainda assim temo por você, Davi e Mary.
Engoli em seco. Eu sabia daquilo. E entendia toda sua preocupação conosco. E eu estava, mesmo sem querer, trazendo mais um problema para Enzo.
Creio que o Papai Noel do mau ainda não sabia sobre a minha ligação com Enzo Asheton, ou teria mencionado. Mas uma coisa era certa: Will e meu pai corriam perigo.
— Você vai emprestar o dinheiro? — Enzo quis saber.
— Claro que... não. Eu disse que o dinheiro não é meu. É seu. — repeti.
— O meu dinheiro é seu, Maçãzinha. E você é extremamente contida com os gastos e admiro isso. O problema não é dar a quantia que sua amiga pede. O problema aqui é que se você der, ela pedirá de novo. E depois mais uma vez. E isso virará um ciclo vicioso.
Enzo falava da minha amiga imaginária. Mas eu sabia que aquilo se aplicava também ao agiota. Eu não queria trazer meus problemas financeiros para Enzo. Ele já tinha problemas demais com aquele tipo de pessoa. Sem contar que, se eu solicitasse aquela quantia absurda que o agiota pedia, Enzo acharia que eu tinha intenção de construir uma mansão para morar sozinha ou mesmo fugir do país e morar nas Maldivas.
— Eu não vou emprestar. — garanti.
Enzo estendeu a mão:
— Posso ver a ligação dela?
Dei um passo para trás, apertando o telefone entre minhas mãos:
— Eu... achei que você confiava em mim.
— E eu confio. E você? Confia em mim?
— Eu...
— Deixa eu ver.
— Se insistir, eu vou ficar bem chateada com você, Enzo. Eu não estou escondendo nada. Te falei a verdade, por mais absurda que ela possa parecer. Qual o seu medo?
— Eu já limpei o histórico de assédio do currículo do garoto zumbi.

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