— Parabéns, senhorita Maria Fernanda! Você é uma séria candidata a dopar o meu filho caso ele lhe traga problemas.
O encarei, incrédula. Só podia ser brincadeira!
Claro que eu deveria ter me defendido imediatamente. Mas aquilo era tão absurdo que demorei a conseguir me recompor.
— Eu poderia dizer-lhe mil coisas, senhor...
— Enzo. — disse, com seriedade. — Mas todos aqui sabemos que você sabe o meu nome, não é mesmo?
Estreitei os olhos, pasma. Ok, naquela parte ele tinha razão de desconfiar de mim. Realmente eu deveria ter feito melhor a lição de casa e ter ao menos pesquisado sobre quem havia me chamado para a entrevista.
Mas eu não tinha como ter certeza de que era o CEO daquela empresa de armas que estava contratando a babá. Poderia ser somente a entrevista naquele espaço. Afinal, nunca foi dito para quem eu trabalharia de fato. Aliás, para ser mais ético o processo, tudo deveria ter sido feito na casa onde trabalharíamos e não na empresa. Ou Davi ficava naquele lugar e não em casa?
Bem, vindo daquele homem, tudo era possível. Então não dava para duvidar que trazia o filho para trabalhar com ele durante todo o tempo.
— Por qual motivo eu doparia o seu filho? Por que acha que eu não levo o meu trabalho à sério? Não estou aqui para brincar. — olhei para as outras garotas sentadas próximas a mim — e... não querendo ofender vocês, mas qual a experiência que têm com crianças? Eu entendi que a vaga era de babá. Babá para mim é cuidar de crianças... simples assim. Não tem esta história de babysiter, nannygate, ou seja lá o que for. Daí o senhor me pergunta sobre medicamentos, eu respondo de forma correta, pois fiz alguns semestres de enfermagem na faculdade e simplesmente sou rotulada como alguém que pode “dopar” o seu filho? — levantei, furiosa — Não, eu não estou preparada para isso!
Preparada eu não estava. Nem para aquilo, nem para nada. Eu era uma mera desempregada, que precisava desesperadamente de dinheiro... agora mais do que nunca, porque eu poderia estar “G”.
Eu pensei em ir embora. Mas lembrei do salário e do quanto eu precisava dele. E minha pernas travaram. Todos me olhavam, esperando pela minha saída digna e triunfal. Mas ela não aconteceu.
— Vai a algum lugar, Maria Fernanda?
Sim, estou pensando em ir para a puta que pariu, seu idiota!
— Eu... preciso ir ao banheiro.
— De novo? — ele me encarou.
— Como o senhor mesmo mencionou, eu gosto de banheiros. — não perdi a oportunidade de usar do mesmo sarcasmo que ele usava comigo.
Foda-se! Aquele não era o único emprego de babá que existia no mundo. Sem contar que aquilo tudo era muito estranho: todas as candidatas eram semelhantes e tinham uma tatuagem igual no dedo anelar, de um coração.
Um coração tatuado no dedo anelar não era algo impossível. Mas também não tão provável. Para mim, a tatuagem que eu carregava tinha um significado. Era sobre eu e Michael. Mas e o delas? Seria coincidência demais! Mas ao mesmo tempo... não fazia sentido. Nada ali fazia sentido.
Imaginei que agora ele me mandaria embora de vez. No entanto, “Enzo”, o ser mais estranho que eu já conheci na vida, mas que metia bem pra caralho, disse:
— Não demore, Maria Fernanda. O mundo não gira ao seu redor.
Não? Na minha cabeça, girava. Porque por muitos anos girou ao redor de Michael. E aprendi, da pior forma possível, que nada poderia ser maior do que eu mesma. Nenhum sacrifício valia a pena se não fosse por mim, Will ou meu pai.
— Como vocês bem sabem, o salário que estou oferecendo para que cuidem do meu filho é bem atrativo...
Atrativo? Ele chamava o salário que oferecia de “atrativo”? Se eu trabalhasse de babá freelancer até morrer, jamais ganharia algo sequer próximo do que Enzo oferecia. Ok, eu não me importava com o perigo. Aliás, eu ria na cara do perigo. E eu entendia exatamente o que sentia naquele momento. Mas não adiantava me entregar ao drama.
— Então, serei bem criterioso. — ele disse.
Justo e correto. Era a vida do filho que ele colocava nas mãos de uma estranha.
Fiquei pensando no que uma modelo e uma ex participante de reality show poderiam fazer para ajudar Davi. Não que eu fosse melhor do que elas... pelo contrário, eu era mil vezes pior, porque elas pareciam estar bem financeiramente, a contar pelas roupas e sapatos caros que usavam e os cabelos que certamente haviam feito no salão para comparecerem àquela entrevista. Mas não havia dúvidas: eu era a mais qualificada para o emprego. E ninguém poderia dizer o contrário. Se eu não fosse a escolhida, certamente seria um processo seletivo bem injusto.
— Só haverá uma escolhida. E preciso fazer outros testes para tomar a minha decisão. Por isso, amanhã haverá a fase dois... na minha casa...
Ok, agora tudo parecia razoável. Conhecer Davi, o ambiente em que ele vivia, a rotina da casa, o...
— Compareçam levando roupas de banho. O teste será na piscina.
O quê? Eu entendi direito?
ESPERO QUE ESTEJAM GOSTANDO DA HISTÓRIA DO ENZO E DA MARIA FERNANDA! PARA MIM ESTÁ SENDO BEM GOSTOSA DE ESCREVER. NÃO ESQUEÇAM DE COMENTAR. ISSO ENGAJA A HISTÓRIA E ME DÁ UM TERMÔMETRO DO QUE ESTÃO ACHANDO. OBRIGADA.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...