Maria Fernanda sentou-se na cama, o olhar fixando-se num ponto qualquer, totalmente apática. A maçã que ela tinha na mão caiu, rolando alguns centímetros, parando no meu pé.
Ironicamente a maçã estava mordida exatamente igual a tatuagem que ela tinha na bunda.
Doía. Meu corpo inteiro doía. Meu coração doía. Minha alma estava dilacerada. E eu nem sabia se era pela mentira ou porque eu estava mandando embora a pessoa mais importante da minha vida depois do meu filho.
— Você me ouviu? — alterei a voz.
Ela deu um sobressalto:
— O que... você disse mesmo? — sorriu — esse bebê... está bebendo o meu cérebro.
— Eu mandei você pegar a porra das suas coisas e ir embora daqui. Agora!
Ela levantou e segundos depois cambaleou, procurando a cama para sentar-se.
Eu ri, com ironia:
— Não finja que está dopada, Maçãzinha. Lembra que eu já descobri a sua farsa? Vá. Eu não quero mais você aqui.
Maria Fernanda levantou o braço e abriu a mão, fechando os olhos. Depois de um tempo disse, ainda com os olhos semicerrados:
— Eu... vou. Mas espere só um minuto... até que eu... consiga recuperar a porra da minha sanidade... e meu corpo. — meneou a cabeça e tocou a barriga — Princesa, por que você está fazendo isso comigo? Se continuar assim, você vive e mamãe morre. — sorriu de forma tranquila.
Caralho! Ela queria me matar. Sim, Maçãzinha queria me destruir mais do que já havia destruído.
— Chega! Pare de fingir. E não use mais a minha filha como desculpa.
Ela levantou e respirou fundo. Sorriu e foi em direção ao closet. Como assim? Ela não chorou. Ela sequer se preocupou.
Andei a passos largos e me pus na frente da entrada do closet:
— Você não tem mais nada para me dizer?
Não, eu não queria que ela implorasse para ficar. E mesmo que implorasse, eu não aceitaria. Eu não queria que ela explicasse o inexplicável. Mas eu queria que Maçãzinha reagisse, que demonstrasse arrependimento ou um pouco de sofrimento, o qual eu sentia só de saber que teria que conviver sem a sua presença.
— Sim, eu tenho algo a dizer — ela falou seriamente — Isso nunca daria certo mesmo. — levantou os ombros, passou por mim e entrou no closet.
Ela começou a procurar por algo, jogando no chão todas as roupas que encontrava no caminho.
— O que você quer? Destruir a minha casa?
Maçãzinha deu de ombros:
— Tem certeza? Eu já te dopei uma vez. E dopei o seu filho. Por que acha que eu não te mataria? Por que acha que eu nunca pus veneno na sua comida para te matar lentamente? Por que acha que algum dia eu realmente me importei com você e não só com o seu dinheiro? — suspirou — você é como o SERASA, só sabe cobrar e perseguir. Será um alívio me livrar de ti.
— Que porra é... SERASA?
— Uma lista de devedores. Mas você nunca passou por isso, não é mesmo? Já ouviu falar no Noriah Bank? É exatamente como você: me prometeu mundos e fundos e no final só levou o pouco que eu tinha.
— Você... é...
— Sincera. Mas você não tem capacidade para perceber isso. Agora saia aqui. — apontou o dedo para a porta.
— A casa é minha.
— Verdade — sorriu e pegou uma pilha de roupa do chão, com certa dificuldade por causa da barriga ao abaixar-se.
Fiquei observando e ela jogou tudo em mim:
— Pegue a porra das suas coisas. Eu não quero nada seu. — pegou mais e jogou em mim, com força — Daqui só vou levar a minha filha. Porque até a minha dignidade você roubou.
Quando Maria Fernanda começou a jogar os perfumes, que foram se espatifando na parede enquanto eu desviava, fui obrigado a sair dali, antes que ela realmente me matasse.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...