— Fê, eu juro que não vou deixá-la.
— Não podemos contar a Polícia, Will. Ou o Papai Noel vai ficar ainda mais furioso e irá focar em você.
— Fê, precisamos contar para a Polícia, sim. Não temos alternativa. Você está grávida e corre perigo.
— Não... Papai Noel não fará nada contra mim. Se eu morrer, aquele filho da puta perde toda chance de me extorquir. Ele irá tentar me fazer dar o dinheiro tirando uma por uma as pessoas que eu amo.
— E... eu não sou a única pessoa que você ama?
Mordi o lábio, lembrando de Davi e Enzo. Se Marcondes sabia de meu pai e Will, também era ciente de que eu era casada com Enzo Asheton. E certamente foi por aquele motivo que me pediu um valor absurdo, que só uma pessoa bilionária teria disponível.
— Você precisa pedir ajuda ao Enzo. — Will disse.
— Não... eu não posso.
— Ele é o único que pode te ajudar.
— Não quero envolver Enzo nisso. Ele vai querer intervir e a situação ficará ainda pior. Estamos falando de uma organização criminosa. Acha mesmo que vou deixar Enzo se meter nisso por minha culpa? Eu já fiz o suficiente: matei o meu pai.
— Para Enzo esse valor é ínfimo.
— Pedir esse dinheiro ao Enzo seria confirmar o que ele suspeita: que eu sempre fui uma interesseira.
— Bebê, isso não é uma brincadeira. Foda-se o que Enzo pensa de você. O importante é todos ficarem vivos e em segurança.
— Will, eu tenho uma ideia.
— Que ideia? Não há ideias aqui, Fê. Só há uma certeza: precisamos da ajuda de Enzo.
— Minha ideia é boa.
— E qual é?
— Você vai embora.
— Embora?
Talvez Will tivesse razão. Se eu contasse para Enzo, ele ficaria furioso, mas pagaria a minha dívida. Ele era o único que podia nos proteger. Mas isso significava que eu teria que perdoá-lo.
Quando liberei o teclado, um sorriso irônico surgiu no meu rosto.
— Fê... está tudo bem? — Will perguntou, limpando as lágrimas.
— Como eu posso pedir ajuda a uma pessoa que eu nem sei o número? — as lágrimas foram ainda mais doloridas — Vivi na casa de um homem com o qual tenho uma filha... e ele nunca me deu o número do seu telefone.
Will mordeu o lábio até que eu percebesse o vermelho vivo do sangue.
— Foda-se o Enzo. Foda-se todo mundo. Nós passamos por dificuldades a nossa vida inteira. E enfrentaremos isso junto. Nossa mãe já se foi há tanto tempo. Perdemos um dos seus bebês. E agora nos tiraram nosso pai. Eu juro que não deixarei ninguém nos tirar mais nada.
Sorri, sentindo meu coração quentinho. Eu sabia que nunca estaria sozinha, porque eu tinha o meu irmão e a minha filha.
Deixei meu corpo cair de volta no colchão e fechei os olhos. Eu tinha tantas coisas para resolver. Precisava dizer ao Enzo que eu o odiava e que nunca o perdoaria. Isso umas mil vezes.
Mas eu estava cansada. Muito cansada. Fechei os olhos e senti, através das pálpebras, uma leve claridade. Tentei reagir, mas tudo foi ficando escuro... escuro... até que tive a impressão de que fui sugada para outro mundo. Um mundo onde não havia mais dor. Não havia nenhum tipo de sentimento. Só tinha... tranquilidade. Então me deixei ser levada. O último movimento que meu corpo fez foi o de deixar o braço pender, repousando no colchão

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...