POV Enzo
— Onde ela foi parar? — perguntei para Aayush.
— Usei o rastreador, senhor Enzo. E... ela está no apartamento... do garoto zumbi.
Levantei-me da cadeira, atordoado. Passei o braço sobre a mesa, jogando tudo no chão.
Aayush arregalou os olhos:
— Senhor... pelo menos... ela está abrigada.
— Abrigada? — eu ri, sem humor — Acha mesmo que eu a deixaria desabrigada?
— Mas... o senhor não ofereceu à ela um abrigo.
— E você acha que ela deixou? Will não atendeu as minhas ligações. Me ignorou por completo. Eu não posso aceitar que minha mulher fique morando com o garoto zumbi.
— Ela... certamente pedirá o divórcio.
— Temos um contrato de casamento em que Maria Fernanda precisa ser minha esposa até Davi completar 18 anos.
— E... o senhor acha justo, depois de tudo que fez com ela?
— “Eu” fiz com ela? Caralho, estou destruído por causa dessa mulher. Ela mentiu par mim, Aayush! Mandou falsificar um exame. E não tem explicação lógica para isso. Maria Fernanda quis se fazer de vítima.
Aayush abaixou a cabeça.
— Você esteve ou não envolvido com isso, Aayush?
Ele demorou para responder:
— Eu não estive envolvido diretamente, senhor.
— Então por que foi falar com a doutora? O que Maçãzinha usou para te convencer, porra?
— Ela... implorou. E eu... achei realmente que talvez... fosse a solução para que vocês dois se resolvessem de vez, ficando juntos.
Quem era Aayush para decidir sobre a minha vida? Por que aquele filho da puta era tão incompetente?
Peguei-o pela gola, furioso. Então a porta do escritório se abriu e Davi entrou, feito um vendaval.
Soltei Aayush imediatamente. Davi nunca presenciaria qualquer ato de violência meu para com uma pessoa.
— Eu quero a minha mãe. — ele disse, me encarando.
Engoli em seco e pensei rápido no que responder. Eu não sabia exatamente o que dizer ao meu filho. Como explicar que eu mandei embora a pessoa mais importante das nossas vidas?
— A sua mãe... foi viajar. Mas em breve ela irá voltar.
— Então ligue para minha mamãe e peça que ela volte. Eu estou com saudade.
— Mas faz bem pouco tempo que ela se foi. Espere que ela... pelo menos aproveite... alguns dias.
— Eu não quero ficar sem a minha mãe — ele gritou — Traga ela agora.
— Davi, eu sou seu pai e posso fazer tudo que você quiser.
— Eu a quero. Estou com saudade. Chego a ouvir a voz dela me chamando. E quando entrei no seu quarto, ela não estava na cama. Mesmo dormindo, a mamãe falava comigo.
Senti um nó na garganta:
— Filho... eu vou trazê-la de volta. Eu juro. Só preciso... de um tempo.
Realmente eu traria minha esposa de volta, nem que tivesse que implorar de joelhos. Ela mentiu. Mas eu a amava do mesmo jeito. E achava justo ela me punir por tê-la mandado embora.
Eu estava entre a cruz e a espada. Entre a tomada correta de decisão e a pior escolha que já fiz na vida. Entre o fato de tentar machucá-la e descobrir que feri-la me autodestruía.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO