— Papai, papai! — Davi correu até mim.
Abri os braços e meu filho me abraçou com força. Era tudo que precisava naquele momento: inocência e ingenuidade.
— Você está doente, papai? — ele me deu um beijo.
Olhei para Aayush, com os olhos lacrimejando. Eu já não aguentava mais chorar por ela. Era como se cada lágrima fosse uma facada no meu coração.
— Preciso de todos os exames de Maçãzinha. Imediatamente.
— As médicas... foram demitidas.
— Devem ter arquivado os hemogramas dela.
Aayush saiu. Peguei Davi no colo levantei, me sentindo fraco. Não lembrava a última vez que botei algo no estômago. Eu não tinha fome. Nem sede. Tudo que eu queria era minha Maçãzinha de volta.
E aquela culpa estava me destruindo.
Assim que Aayush chegou com os exames, pedi que ele ligasse para Michael e pedisse o endereço do hospital onde Maria Fernanda estava.
Claro que eu poderia descobrir sozinho. Mas o fato de ele ter pedido os exames me preocupou. O garoto zumbi jamais teria entrado em contado comigo se não precisasse daquilo.
— Hospital? — Davi arregalou os olhinhos. — você disse que a mamãe estava viajando. Como que agora ela está no hospital?
Eu não tinha a mínima ideia de como Maria Fernanda tinha parado num hospital. Mas também não ficaria ali sem saber o que tinha acontecido.
Pedi que Aayush preparasse o carro e sentei no banco de trás com filho nos braços. Não teve como convencê-lo a ficar em casa. E eu nem sabia se o levar junto era o melhor a fazer. Mas quem sabe... se Maçãzinha estava doente... ver Davi poderia fazer bem a ela.
Eu sabia o quanto eles eram apegados.
Quando acessei o hospital público da cidade, deparei-me com Will na recepção.
— Onde ela está? — perguntei.
— Dê os exames e tire essa sua cara horrível de bonita daqui. — ele abriu a mão.
— Will! — Davi abriu os braços para ele — Como está a minha mamãe?
Will me olhou com fúria e depois voltou-se para o meu filho, com o semblante terno, como se tivesse se transformado em outra pessoa em segundos.
Pegou Davi no colo e deu um sorriso forçado. Ele estava com os olhos vermelhos. Certamente havia chorado.
Passei as mãos no rosto, atordoado. Deus, eu não podia esperar mais um segundo para saber notícias dela.
— Sua mamãe... está dormindo. — Will disse — um sono... profundo.
— Como a Bela Adormecida? — perguntou meu filho ingenuamente.
— Eu... acho que sim. — Will apertou os lábios, tentando evitar o choro.
Eu não iria esperar pela boa vontade de Will. Fui até a recepção:
— Quero ver a minha esposa, Maria Fernanda Asheton.
A mulher me olhou:
— Terá que aguardar. Não é hora da visita.
— Eu estou me fodendo se é hora da visita ou não — bati a mão em punho no balcão — Ou você me deixa ver a minha esposa ou perde o seu emprego agora mesmo.
Ela apontou para uma folha de papel colada na parede. Estava escrito “Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela é crime, sujeito a pena de detenção de 6 meses a 2 anos ou multa.”
Retirei meu cartão black do bolso:
— Prefiro pagar a multa. — joguei o cartão na frente dela. — Quero o número da porra do quarto. — falei, entredentes.
Ela abaixou a cabeça, pegou uma caneta e ficou escrevendo algo, me ignorando.
— Você ouviu o que eu disse?
A mulher apontou para a recepção:
— Sente e aguarde notícias, como todos os outros.
Eu ri. Só podia ser brincadeira:
— Eu vou mandar te matar.
A recepcionista levantou o olhar, parecendo pouco preocupada:

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