— Olhe os exames — falei para o garoto zumbi que estava ali como o médico de Maçãzinha, levando em conta que estava de jaleco. — não há nenhuma alteração. A sonolência dela era por conta do Zolpidem. E... o exame... nem era verdadeiro. Tinha sido falsificado. E a própria Maria Fernanda me confessou isso.
Fiquei confuso. Como assim ela estava em sono profundo, como se estivesse dopada, sendo que os exames estavam bons e ela nunca tomou Zolpidem? Não fazia sentido.
O garoto zumbi riu, com escárnio:
— Você não entende nada. Só vê o que quer. Acha que tudo isso é uma encenação e a minha amiga não está adormecida?
— Eu não disse isso. Só estou tentando entender.
Me aproximei dela e peguei sua mão, que estava morna. O pulso estava fraco. Olhei para Michael:
— Ela parece... muito fraca. — mordi o lábio, tentando ser forte.
— O coração está fraco. Mas o bebê muito agitado.
— Mary já estava agitada... em todas as ultrassonografias. Mas o médico disse que... era normal e que talvez fosse consequência da alimentação da Maria Fernanda.
— Se você tivesse deixado eu ser o médico dela, isso não estaria acontecendo. Não precisa ser muito inteligente ou experiente para saber que nada estava certo nessa gravidez.
— Vou transferi-la de hospital. Maria Fernanda precisa ir para um lugar que tenha mais recursos.
Michael riu, sem humor:
— Mais recursos? Se você tivesse contratado bons profissionais a Fê não estaria aqui, num hospital público, aos meus cuidados.
— Temos que pensar no bem dele e do bebê. E deixar de lado as nossas desavenças. — falei.
— Eu sempre priorizei e respeitei as decisões dela, inclusive de ter escolhido ficar com você. Mas agora não é você que manda aqui, Enzo. Quem dá permissão ou não é Will. E ele jamais tirará a irmã daqui, porque sabe que estamos em família. É isso que a Fê significa para mim: família, amizade, amor. Mas você não sabe o que é isso. A magoou. A fez sofrer. A mandou embora, jogando-a sozinha com a notícia da morte do pai.
— Eu fui ao funeral. Eu me arrependi horas depois.
— Nem sempre o arrependimento é a solução. Eu também me arrependi, lembra? E ainda assim não a recuperei. Ela nunca irá te perdoar.
Engoli em seco. E não foi só porque realmente a coloquei numa situação difícil sem me importar com as consequências. Foi porque, pela primeira vez, eu percebi que talvez a perdesse para sempre. Porque mesmo que Maria Fernanda acordasse e ficasse bem, jamais me perdoaria.
E não foi por falta de aviso. Ela me disse várias vezes que eu me arrependeria e que seria tarde.
Mas ainda assim, eu não entendia como ela foi parar ali.
— Você tem certeza... de que sabe o que está fazendo, Michael? Acha que realmente pode salvá-la?
— Eu não posso. Eu vou. Eu decidi ser médico por causa dela. E estou aqui por ela. Maria Fernanda sempre foi e sempre será a paciente mais importante para mim.
— Mas temos os hemogramas. E eles mostram que está tudo bem. Maria Fernanda fez vários... e... nenhum deu alteração.
— Hemogramas não bastam para detectar algumas substâncias no organismo. Eu sei que preciso ser rápido, pois alguns resíduos só levam 48 horas para serem eliminados pelo organismo. Com muita sorte, temos 72 horas.
— O que você está querendo dizer?
— Ela não está dopada. Maria Fernanda foi envenenada.

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