— Foi Pietra. — Shirley confessou — Pietra que envenenou Maria Fernanda, dia após dia.
Eu não precisei perguntar se foi Pietra também que me dopou e fez o mesmo com Davi. A resposta era óbvia.
Senti o gosto amargo não só da traição, mas também da culpa. Culpa essa que eu sabia que carregaria para o resto da vida.
Quando ela falou a palavra “envenenou”, o meu sangue entrou em ebulição e não aguentei mais. Peguei Shirley pelo pescoço e apertei até que ela ficasse sem ar. Depois soltei. Ela arregalou os olhos quando pôs a mão no pescoço, sentindo a dor causada pela força dos meus dedos.
— Você tem duas opções, Shirley — fui claro — me contar toda a verdade e um dia rever a sua mãe. Ou omitir e igual ver a sua mãe, porém morta. E confesso que minha ideia inicial era que sua mãe levasse uma bala na cabeça. Mas pensando bem, seria fácil demais. Isso tornaria a morte dela rápida. E você e Pietra não envenenaram a minha mulher de uma vez. Fizeram com que Maria Fernanda ingerisse o veneno pouco a pouco, dia após dia, para que fosse morrendo aos poucos. Ok — aplaudi, com sarcasmo — vocês são boas na tentativa de serem cruéis. Mas eu fui forjado num mundo de vingança e crueldade. Eu sei ser cruel. De verdade. E acho que você é esperta o suficiente para saber que a vida da sua mãe está nas suas mãos. Ou seja, você tem escolhas. Mas adivinha? Em nenhuma das hipóteses você sairá daqui. — eu ri, satisfeito.
Enfim, era hora de punir os culpados.
— Por quê? — fui direto — quero o motivo e como foi feito cada um dos dopings.
Shirley mordeu o lábio:
— Pietra é minha tia. E... tia de Amanza.
Eu ri. Sim, em meio a todo o caos eu ri. Acho que no fundo, eu sempre soube que Amanza estava por trás de tudo aquilo. Isso porque, nos piores momentos da minha vida, ela sempre esteve envolvida.
Quando me envolvi com Amanza, meu único objetivo era roubar o que Zadock tinha de mais precioso, para fazê-lo sentir como era ruim perder tudo que se tinha na vida.
Acontece que eu livrei Zadock. E peguei o problema para mim. Ambiciosa, dissimulada, assassina fria. Aquela era Amanza Laflame.
E eu, que sempre fui cruel, manipulador e sem coração, fui atingido através dela. Isso porque, quando Davi nasceu, o velho Enzo morreu. E um novo renasceu. E caralho, ele tinha um coração!
Desde que Davi chegou, me dediquei a ferrar unicamente com Zadock. Mas deixei de lado tantos outros inimigos que cruzaram meu caminho porque não tive mais vontade de lutar por coisas tão insignificantes quando eu já havia descoberto o que queria da vida: o meu filho. Nada mais.
E imaginei que, assim como Davi mudou a minha vida e me fez rever minhas atitudes, o mesmo aconteceria com Amanza.
Mas não. Não bastou ela ter trocado de irmãos para se dar bem. Ela viu Davi como o seu baú de ouro. Porque sabia que eu faria qualquer coisa pelo meu filho. Amanza descobriu a minha fraqueza.
— Amanza esteve por trás disso, o tempo todo? — perguntei. — ela foi a mentora?
— Ela e Pietra.
— E você foi só uma vítima das duas. — gargalhei, fechando os punhos para não perder a cabeça.
— Amanza é minha prima por parte de pai. Pietra é irmã do meu pai e da mãe de Amanza.
Olhei para Aayush:
— Você não conseguiu ver isso quando contratou Shirley? Ah... esqueci: você não tinha tempo para fazer o que eu te pagava para fazer!
Aayush abaixou a cabeça. Eis uma coisa que eu não sabia como fazer: investigar sobre o passado das pessoas. Eu sempre paguei para que fizessem isso por mim. Primeiro eu usava detetives. E depois que contratei Aayush deixei tudo aos cuidados dele. Nunca me perguntei se ele mesmo ia atrás das informações ou usava alguém para isso. Mas uma coisa era certa: Aayush, mais uma vez, falhou. E pôs em risco a vida do meu filho e a de Maria Fernanda.
— Aayush, por acaso isso tudo foi proposital da sua parte?
— Não. Eu simplesmente fui omisso mesmo. E peço perdão.

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