Meu mundo, já desmoronado, agora cedeu para debaixo da terra. Porque não tinha como ficar pior.
— Pai... você... pediu para a Letícia? Eu... não acredito.
— Na verdade pedi para sua tia, mas ela disse que não tinha. Então sugeriu que eu falasse com a Letícia, que tinha. Parece que a sua prima conseguiu um bom emprego.
Eu detestava a Letícia. Mas ela era sobrinha do meu pai, filha da irmã da minha mãe. Para ele, estava tudo bem. Achava que o tínhamos era só uma desavença de infância.
Balancei a cabeça, atordoada. Eu e Will quase morríamos para dar conta de tudo. E agora ele pedia um empréstimo... para a Letícia? Eu preferiria dever para o banco do que para ela.
Tive vontade de gritar. Depois de chorar. No entanto, respirei fundo e peguei a mão dele:
— Então... o senhor vai voltar a andar, pai. Se deseja isso, farei o possível para que aconteça.
— Obrigada, filha. Não se preocupe que eu vou pagar tudo para a Letícia assim que eu voltar a andar e conseguir um emprego. Ela me emprestou sem juros. — sorriu leve.
Leve porque ele não sorria de verdade. Não sei se algum dia o meu pai sorriu de felicidade. Talvez tenha acontecido quando a minha mãe era viva. Meus tios e os pais de Michael, amigos da nossa família desde sempre, contavam que ele e minha mãe se amavam muito. Que eram o casal mais feliz do mundo. Até que ela teve câncer. E morreu. Um câncer rápido, que a levou em menos de um ano, sem nos dar muito tempo de se despedir. Quando ela partiu eu tinha 8 anos. Will 6.
A porta da sala se abriu do nada e Will entrou feito um furacão. Nos olhou e bufou:
— Fui demitido de novo.
Ah, era tudo que eu precisava ouvir! Agora o emprego de babá era a única coisa a qual eu devia me agarrar na vida.
Olhei para o meu pai, que fez um semblante de tristeza. Ok, já estava feito. Ele já tinha pagado tudo: passagens, estadia. Não tinha como voltar atrás.
Eu faria tudo de um jeito que funcionasse. Se não funcionasse, eu ajustaria.
Levantei e abracei William:
— Logo você encontra outro emprego.
— Tenho culpa se a Rihanna insiste em não notar a minha existência?
Eu ri:
— Você ao menos tentou mostrar seu trabalho para ela?
— Eu tentava contato pelas redes sociais e fãs clubes todos os dias. Agora me bloquearam. Em TODOS.
— Quem sabe você tenta... a Beyoncé?
Ele me apertou em seus braços:
— Ah, eu te amo tanto. Mesmo a mamãe e o papai tendo te encontrado no lixo... eu ainda te considero uma irmã de verdade.
— Will, não fale assim com a sua irmã.
— Conte a verdade, pai. Nós que o encontramos no lixo. — provoquei.
— Mentira. Você teria dois anos quando me tirasse da lata de lixo. Então... não lembraria. — ele fez careta.
— Quem disse que te tiramos da lata de lixo quando você era um bebê?
— Nenhum dos dois foi encontrado na lata de lixo. — papai contestou — Vocês dois são frutos do amor entre Elói e Lola Lorenz. Eu não gosto dessa brincadeira. — cortou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO