POV Maria Fernanda
As dores abdominais fortes vieram sem aviso. Enquanto eu era levada rapidamente para a sala de parto, só conseguia ver o borrão das luzes, rezando para que minha filha nascesse bem. Eu não lembrava exatamente de quantas semanas eu estava. Mas sabia que não era tempo de o bebê nascer.
— Preciso de toda equipe — ouvi a voz de Michael ao longe — se não houver sincronia entre obstetrícia e neonatologia, perderemos o bebê.
— Melhor eu fazer o parto — ouvi a voz de um homem, não conseguindo identificar quem era.
— Por favor, senhor Jonas. Eu desejo muito fazer isso. Sei que consigo. Estou acompanhando a mãe há dias.
— É um parto de risco, Michael.
— Eu acho que é melhor alguém mais experiente. Sabemos de toda sua dedicação, Michael. Mas agora temos que levar em conta o que é melhor para a Fê.
A voz do meu irmão estava fraca. E eu percebi todo o nervosismo dele naquele momento. Será que eu iria morrer? Se fosse preciso escolher entre mim e Mary, eu queria que escolhessem ela. Abri a boca e tentei dizer aquilo, mas não consegui. Tudo que consegui emitir foi um gemido de dor.
— Michael faz o parto. — a voz firme de Enzo fez meu coração bater mais forte.
Uma lágrima rolou pelo canto do meu olho. Ele estava ali. Meu Enzo estava presente. E eu sabia que, se fosse preciso, ele escolheria Mary. Ou não?
Se o filho da puta do Enzo não escolhesse a filha, eu o mataria. Contaria com o amor que ele sentia por Davi para que fizesse a escolha certa: Mary.
— Enzo... — sim, eu consegui emitir algo. Ao menos imaginei que sim.
Ele! Eu não conseguia pensar em nada naquele momento a não ser nele. Mary estaria segura. Eu não poderia ter escolhido homem pior para me apaixonar. Mas sabia que não existiria nunca melhor pai que aquele homem.
— Estou aqui, meu amor. E estarei por 5201314 vezes. — senti a mão dele segurando a minha.
Eu te amo, Enzo. Quero que saiba que eu vou morrer sem te perdoar. Mas ainda assim meu coração b**e 520 vezes por minuto por você.
Do nada eu o perdi. Minha mão ficou vazia. E tudo que eu ouvia era o som das rodas da maca ecoando no piso. E pessoas falando ao mesmo tempo, o que me impedia de identificar quem dizia o que.
— Temos 5 minutos, no máximo dez para tirar o bebê. — ouvi a voz do meu melhor amigo.
Michael. Ele estava comigo. Eu não estava sozinha.
— Temos deslocamento de placenta e bradicardia fetal. — ele gritou.
Eu sentia as agulhadas, mas não havia dor. A pior dor do mundo estava no meu baixo ventre, fazendo com que qualquer outra coisa fosse insignificante.
— Doutor, faremos anestesia peridural ou geral?
Michael não respondeu. Escolha a peridural, Michael. Eu não quero apagar. Quero saber como está a minha filha! Por favor... ouça meu pedido.
— A anestesia geral fará com que ganhemos segundos vitais para o bebê, doutor.
— Ela aumenta os riscos maternos — Michael disse — não podemos perder nenhuma das duas. Peridural.
Eram tantos aparelhos bipando que eu mal conseguia ouvir o que diziam.

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