— O que é isso? — perguntei ao abrir os olhos, atordoada, percebendo o quarto tomado de flores, incerta se aquilo estava realmente acontecendo ou eu ainda estava anestesiada.
Morri? Sim, certamente morri e aquelas eram as flores do meu funeral. Por que tantas? Eu nem conhecia tantas pessoas para me ter aquela quantidade absurda de flores.
Senti o beijo morno na minha bochecha:
— Bebê, isso é obra do seu marido doente mental. — ouvi a voz de Will — em outra vida, quando “talvez” você o perdoar, avise-o que presentes não fazem esquecer humilhações. E que exageros são coisas que pessoas culpadas tentam usar para se redimir.
Eu sorri:
— Ele... é exagerado... sempre foi. Mas... minha samambaia e meu cachorro imaginário irão adorar isso.
— Sim, realmente espero que só coisas imaginárias gostem disso. Porque você está proibida de gostar de qualquer coisa que venha desse lunático sem coração.
Toquei minha barriga e percebi que ela tinha desaparecido. Ou ao menos boa parte dela.
Quando a porta se abriu, deparei-me com Enzo. E a porra das 520 borboletas começaram a voar dentro do meu estômago. Respirei fundo e tratei de cortar as asas delas.
Enzo se aproximou da cama, com aquela cara de cachorro imaginário que caiu da mudança.
Tentou pegar a minha mão, mas afastei-me. Ele mordeu o lábio antes de perguntar:
— Como se sente?
Tentei sentar na cama, mas senti uma dor leve no baixo ventre.
— Meu bebê — minha voz soou grave — onde está o meu bebê? — não contive as lágrimas ao perceber que Mary já tinha nascido.
Antes que eu pudesse responder, Michael entrou no quarto, acompanhado de uma médica. Os dois olharam ao redor e Michael disse, com firmeza:
— Mande tirar isso tudo daqui. Imediatamente. — dirigiu-se a Enzo.
— Farei isso.
Enzo aceitando ordens de Michael? Certamente eu estava mortinha mesmo.
A doutora se aproximou de mim e pôs a mão no meu ombro.
— Não — meneei a cabeça, atordoada — eu me recuso a ouvir o que vocês têm a dizer. Vão embora. — gritei.
Enzo pegou a minha mão com firmeza. E não consegui tirá-la dessa vez. Nossos dedos se entrelaçaram, de forma automática. O encarei, implorando para que não deixasse que me dissessem que minha filha havia morrido.
— Mary está viva. — Enzo disse, enquanto uma lágrima rolava do canto de seu olho.
Mordi o lábio com força e olhei para todos. Não pareciam nada tranquilos e não me passaram segurança alguma.
— Então... por que você está chorando? — questionei Enzo.
— Estou chorando porque... te amo. E quase perdi vocês duas.
— Mary está na UTI, numa incubadora. Ela nasceu prematura, de 31 semanas. E pesando 1,520 kg. — explicou a médica.
— 1,520? — olhei para a doutora e depois para Enzo — Isso é obra sua?
Ele sorriu e apertou minha mão:
— Se fosse obra minha ela teria nascido com 5201314 kg.
— Isso não é momento de brincar, Enzo.
Olhei para os dedos dele entrelaçados nos meus e retirei minha mão, de forma abrupta. Não era ele que me mandou embora de sua casa me acusando de mentirosa?
— Os cuidados com um bebê prematuro nascido de 31 semanas na UTI neonatal são intensos e focados em substituir as funções que o útero materno desempenharia até o final da gestação — a médica explicou — Nessa idade gestacional, Mary é considerada muito prematura.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO