POV Enzo
Quando Aayush apareceu, eu já sabia do que se tratava. Ou não.
— Senhor, temoS um problema.
— Outro? — não contive o sorriso sarcástico — me conte uma novidade agora, Aayush... tipo, como são os problemas na Índia? Ser resolvem milagrosamente? Ou a gente tem que sofrer o pão que o diabo amassou antes de viver de forma tranquila de novo?
— Na minha opinião, o senhor não é tipo que sofre o pão que o diabo amassou, senhor Enzo. O senhor Zadock amassa o pão. E o senhor distribuiu nas formas.
Arqueei uma sobrancelha:
— Isso quer dizer que eu sou o diabo e não o Zadock?
— Não creio que haja espaço para disputas de quem manda no inferno, senhor. Ou seja, o fato de se estar lá já é um...
— Privilégio? — completei.
— Eu não diria isso, senhor. Mas... pode ser.
— O que aconteceu, além do fato de Amanza ter saído da cadeia e agora tentar foder tudo ainda mais do que já está fodido.
— Temos um agiota na história, senhor. Codinome: Papai Noel.
Lembrei das ligações para o telefone de Maçãzinha. Papai Noel. Vivia ligando. Mas... cheguei a pensar que fosse só... O Papai Noel mesmo.
Respirei fundo e sentei-me na cadeira defronte à minha mesa:
— Ela nomeou um agiota de Papai Noel?
— Ao que tudo indica, senhor... sim. Afinal, um agiota não se autonomearia Papai Noel.
— Eu já nem sei o que mais amo nessa mulher, Aayush: se a sua inocência ou a forma como ela me irrita profundamente se insinuando nua por aí.
— Acho que a primeira opção, senhor.
— O que você mais ama nela, Aayush? — tentei entender o que de fato ele sentia por Maria Fernanda.
— A forma como elA o ama, senhor... sem pedir nada em troca, sem expectativas, em todas suas as versões.
Senti um frio percorrendo a minha espinha. Era bom ouvir aquilo de uma pessoa que convivia com ela. Ou seja, eu não estava totalmente louco quando achava que ela ainda me amava.
Acho que o ponto ali não era amor que acabou. E sim orgulho que não deixava com que o perdão acontecesse.
Talvez eu devesse me ajoelhar aos pés dela em vez de mandar um jardim de flores. Ou... provar através dos meus atos que eu estava disposto a mudar.
Sim, provar com meus atos. E mostrar a versão Enzo 3.0 para ela. O um foi o Enzo sombrio, cruel e que só tinha como objetivo pegar de volta o que era seu. O Enzo dois foi o desconfiado que acreditava que todo mundo existia só para tentar prejudicar a ele ou Davi. O terceiro... bem, o terceiro era totalmente confuso e sem ter a mínima ideia do que fazer. Mas ele tinha somente três certezas: Davi, Maçãzinha e Mary. Essas eram as peças mais importantes do seu tabuleiro.
— Senhor... entendeu o que eu falei sobre o agiota?

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