Dois policiais acompanhavam Amanza. Da minha parte, Aayush e o policial que eu havia contratado. E os meus estavam armados com pequenas pistolas, mas grandes nos estragos que podiam fazer.
Como eu não queria parecer um mafioso, já que Maçãzinha me rotulava daquela forma, meus homens usavam as armas discretamente. Eu sequer me importava com a polícia, que certamente sabia que eu tinha mais armas do que todo o batalhão deles. Mas minha Maçãzinha e a forma como ela me via me importava bastante.
Ela não estava presente e não veria a forma como me portei. Mas se eu queria mudar (e eu mudaria), o primeiro passo deveria partir de mim, em fazer o que Maria Fernanda queria, mesmo quando ela não estivesse presente. Meu psiquiatra imaginário teria orgulho de mim.
O lugar exigido por mim foi o quartel da polícia. Uma sala privada, bem iluminada, ventilada e com cores em tom pastel, que segundo a pediatra do Davi, o acalmaria um pouco.
Assim que viu Amanza, Davi deu um passo para trás, se escondendo atrás de mim. Eu achei que meu coração não poderia partir em mais pedaços do que já estava. Mas o ver o meu filho agir daquela forma, foi como se tivessem pisoteado nos pedaços e transformado em pó.
Toquei a mãozinha dele que se apoiava na minha cintura, sentindo-a levemente trêmula. Segundo os médicos, havia sim a possibilidade de Davi vir a lembrar algum dia do que viveu naquele hangar. Eu só rezei internamente para que não fosse naquele momento.
Amanza me olhou por um momento breve e depois voltou-se para Davi.
— Oi... — tentou um sorriso, abaixando-se levemente para avistá-lo melhor.
Davi não respondeu. Quando ela deu um passo adiante, falei, tentando parecer tranquilo:
— Não se aproxime, Amanza. Há uma linha imaginária entre você e Davi, conforme solicitei judicialmente. Só quem pode cruzá-la é o Davi. Ou seja, só haverá aproximação se ele permitir.
Ela me encarou, certamente querendo a minha morte lenta ali mesmo. Eu queria a morte dela de qualquer jeito: lenta ou rápida. Só desejava que ela deixasse de existir.
Mas se Amanza morresse nos próximos meses só teria um suspeito: eu. E como a mídia estava acompanhando o caso, eu não poderia deixar qualquer vestígio de culpa. Ser preso não era uma opção. Não quando eu tinha dois filhos que precisavam de mim e uma mulher que poderia se relacionar com outra pessoa caso eu fosse definitivamente para o inferno.
— Você lembra de mim, pequeno? — ela perguntou com a voz branda.
Senti repulsa.
Davi meneou a cabeça, em negativa.
— Eu sou a sua mamãe.
— Não é. — a vozinha dele soou tão fraca que tentei me conter para não botá-lo dentro do meu paletó e fechá-lo para que pudesse ser protegido até do olhar daquela assassina.
— Sou sim. Talvez... você não lembre. Mas eu sou.
— Acho que é melhor ele não lembrar, não é mesmo? — a encarei.
— Davi... — ela me ignorou — será que eu posso... abraçá-lo?
— Não. Eu não quero abraçar você.
Os olhos dela lacrimejaram. Como conseguia ser tão dissimulada?
— Eu... só gostaria de tocá-lo, nem que seja por um minuto. Quero te sentir, meu filho.
Filho? Como Amanza se atrevia a chamar de filho a criança a qual ela apontou uma arma?

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