POV Maria Fernanda
Quando a campainha tocou, tive que deixar o restante das batatas fritando. Peguei um punhado das que já estavam prontas e fui atender a porta, me certificando de que tinham passado no controle de qualidade.
Quando abri a porta, fiquei imóvel. Até minha boca ficou nervosa e esqueceu de mastigar.
Eu odiava a forma como aquele filho da puta me deixava.
— Oi.
“Oi”. Ele aparecia quase um mês depois da última vez que me viu presencialmente e a única coisa que tinha para dizer era “oi”?
Engoli as batatas que estavam na minha boca e saí da frente da porta, não o convidando a entrar, mas fazendo um gesto que bem dizer era um convite.
Enzo passou por mim, pegou uma batata mordida que estava entre meus dedos e jogou na própria boca, sentando-se no sofá sem ser convidado.
— Achei que você estava morto. — não me contive.
— Levando em conta que liguei para você todos os dias... meio que isso era a prova de que eu estava vivo.
— Poderia ser IA.
— IA não sabe nossos códigos.
— Códigos? — arqueei uma sobrancelha.
— 520, 5201314.
Suspirei, me sentando no braço do sofá, com os pés em cima do assento, comendo o restante das minhas batatas:
— Ainda fala com as vozes da sua cabeça? — perguntei, num tom de deboche.
— Não. Nós brigamos.
Arqueei uma sobrancelha:
— Você precisa de terapia.
— Eu tenho um terapeuta. Mas ele é igual sua samambaia e seu cachorro imaginário.
— Você é doido.
— Eu nunca te disse que não era. Ainda assim você me quis.
— Foi um momento de fraqueza e carência emocional e física.
— Ok, isso feriu meu coração diretamente. — pôs a mão no peito, fazendo um drama.
— O que você quer, Enzo?
— Viu as notícias do dia?
— Atualmente a única coisa que olho na internet é como estão as promoções de fraldas descartáveis.
— Eis a questão. Você precisa realmente procurar isso que chama de promoção. A fonte secou.
Arqueei uma sobrancelha. É claro que eu tinha visto as notícias. Eu assinava jornal e vez ou outra pegava algumas folhas para botar no chão para que o meu cachorro imaginário fizesse xixi e então lia brevemente uma coisa ou outra.
— Se está falando sobre deserdar Mary, eu pouco me importo. E aposto que Davi se importa muito mais com o pai do que com o patrimônio que herdará.
Enzo estreitou os olhos:
— Realmente não se importa de eu deserdar Mary?

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