POV Enzo
— O contrato está exatamente como eu solicitei? — perguntei ao meu advogado.
— Sem nenhuma linha a menos, senhor Asheton. — confirmou.
Claro que ele não seria burro de fazer qualquer coisa que não fosse o que eu pedi.
— Para não haver problemas, assim que ela assinar, o contrato deve ser autenticado imediatamente.
— Não corre risco de eu não fazer isso. Trabalho para o senhor há anos. E jamais me atreveria a não registrar um contrato.
— Se não registrar, não fará parte mais parte da minha empresa. E a sua geração futura estará falida para o resto da vida. Aliás, você nem terá mais vida.
Ele me olhou de soslaio, mas não se atreveu a discutir.
— E não esqueça de fingir naturalidade. — comentei, nervoso.
— Eu não preciso fingir naturalidade, senhor Asheton. Isso para mim, de assinaturas de contratos, “é natural”. E... deveria ser para o senhor, também. Afinal... faz isso o tempo todo.
— Já decidiu como isso tudo funcionará, senhor Enzo? — Aayush questionou, parado feito um tronco de madeira falante ao meu lado.
Eu odiava a forma como ele ficava com as mãos entrelaçadas na frente do corpo, como se estivesse a esconder o pau.
Não adiantava negar. Hoje tudo me irritava. Até o som das batidas do meu próprio coração.
— Decidi que uma trabalhará durante o dia e a outra à noite. — expliquei.
— Isso... está certo? Geralmente babás... trabalham integralmente, dia e noite. É uma forma de interação com a criança.
— Desde quando você entende de babás, Aayush? Por acaso andou pesquisando sobre “babás”? E, com qual interesse fez isso? — estreitei os olhos, desconfiado.
— Babás não é um assunto que especificamente me interesse, senhor Enzo. Porém, algumas coisas são... como eu diria? Básicas. Tem até nos filmes.
— E desde quando eu assisto filmes, Aayush?
— Eu acho... que deveria tentar, senhor Enzo. Além de ser entretenimento... às vezes é também cultural. E me refiro aqui especificamente à cultura... de pessoas com condições financeiras diferentes da sua. Nesse caso... abaixo dela.
— O que você quer dizer com isso tudo, porra? Seja claro. O máximo que vai acontecer se eu não gostar é deixá-lo de castigo, numa masmorra, por semanas.
— Sua casa não tem masmorras, senhor. E... esse tipo de tortura não é utilizado há muitos anos. Mas, o senhor pode me demitir, caso ache apropriado.
Demitir? Não, eu jamais faria isso. Aquele homem era o assistente mais dedicado e fiel que já tive a vida inteira. Mesmo sendo... o meu primeiro assistente.
Mas, enfim... se Zadock confiava nele (e Zadock não confiava em ninguém), eu também confiava.
— Fale então. Eu ouvirei e depois decidirei se é motivo de demissão. — blefei.
— Assista filmes populares para entender melhor sobre a vida de pessoas como Maçãzinha. Sei que é bem caricato... mas talvez... necessário para que o senhor entenda um pouco sobre como funcionam as coisas no mundo de pessoa que não tem um sobrenome.
Respirei fundo. Fazia sentido. Mas...
— Ela olha filmes bem estranhos. Sei que um se chama “A mão que balança o berço”. E é sobre... uma babá assassina — o encarei — Aayush... como eu fui ser tão relapso. Ela deu dicas o tempo todo!
— De... filmes?
— Não. De que era uma assassina fria e cruel... e que talvez esteja planejando fazer algo contra o meu filho.
Aayush revirou os olhos e bufou.
— Aayush, você revirou os olhos para mim?
— Senhor, se me permite...
— Não permito. — cortei.



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