Caliana respirou fundo:
— Não era para sair dessa maneira.
— Eu sei.
— A nossa intenção foi boa — Caliana tentou se convencer. — Enzo precisava sair daquele modo… fechado, paranoico, vivendo como se todo mundo fosse um inimigo em potencial.
— Relaxar e conhecer alguém — completei, num tom neutro. — Só isso.
Caliana soltou uma risada:
— Relaxar não é apagar.
A encarei, de forma séria:
— Objetivo cumprido em parte. O senhor Enzo se apaixonou. Mas alguém realmente tentou dopá-lo naquela noite.
— Não tem a mínima possibilidade de ter sido ela?
— Não, nenhuma possibilidade. Eu já verifiquei toda a vida de Maria Fernanda Lorenz. É uma pessoa comum. Não comum como nós. Comum no mundo dela. E não tenha a mínima ideia de como ela reagirá quando for sugada para o mundo do senhor Enzo.
— Não era para ser ela. Sabemos disso. O nosso plano foi bem falho, para dizer a verdade. A intenção era que ele conhecesse alguém de sua classe social.
— O senhor Enzo sempre teve um padrão para mulheres. E sempre foi bem exigente.
Caliana riu:
— E desde quando alguém que comeu Amanza é exigente?
— Bem... o senhor Zadock... também...
Ela levantou a mão, exigindo que eu não terminasse a fala.
— A questão agora é simples: se eu consegui me adaptar ao mundo sombrio de Zadock, ela não terá dificuldade de entrar no mundo paranoico de Enzo.
— Será? — arqueei uma sobrancelha.
— Me parece que você gosta dela.
— Não... eu não... de jeito algum, senhora Caliana.
Caliana franziu a testa e depois riu:
— Eu não quis dizer dessa forma, Aayush. Me refiro a gostar... como gostou de mim.
Suspirei, aliviado. Nem eu admitia os sentimentos que começava a desenvolver por Maria Fernanda. Só faltava Caliana, em minutos, desvendar o meu segredo.
— Acha que perdemos o controle, Aayush?
— Enzo acha que todo mundo faz alguma coisa contra ele — Caliana deu de ombros. — É paranoico, mas ainda está vivo. E confesso que até é bom ele ser assim, pois isso o deixa alerta com relação a Davi.
— Ele baixou a guarda com Davi... desde que Maria Fernanda surgiu. O senhor Enzo acha que ela é a culpada pelo que aconteceu naquela noite... ainda assim a pôs dentro da sua casa, junto de seu filho. Se isso não é amor... sinceramente, eu não sei o que é, senhora Caliana.
— Ele se envolveu — ela sorriu. — De verdade. Então o nosso plano não foi um fracasso total.
— Maria Fernanda é uma boa pessoa — opinei — Eu... me sinto culpado por ela ter entrado nisso tudo... sem entender nada.
— Mas talvez seja ela quem vá mudar a vida dele. Enzo merece ser feliz. E não importa que o mundo deles seja diferente. Eles colidiram Aayush. E isso é o suficiente. Vamos deixá-la lidar com isso sozinha. Se Maria Fernanda conseguiu entrar na casa de Enzo e ainda está lá, eu confio que ela vai dar um jeito na porcaria que fizemos. Sua função agora é só uma: focar em achar a pessoa que dopou Enzo e o motivo pelo qual fez isso. Chega de trapaças na nossa família. E de pessoas querendo derrubar umas às outras. Isso pode vir de estranhos, mas não de dentro. Eu estou do lado de Enzo e não deixarei de ruim acontecer com ele e Davi. E Zadock, consequentemente, irá concordar.
— O senhor Enzo não precisa de pessoas ao lado dele. Ele sabe se defender.
— Pelo visto alguém aqui escolheu definitivamente o lado. — Caliana sorriu, divertida.
— Ele é meio paranoico, confesso. Mas trabalhar ao lado dele é... leve. — sorri, dizendo a verdade.
E isso não significa que eu não tivesse apreço ao senhor Zadock. Pelo contrário, eu só era o que era por causa dele. Mas dizer que eu não me afeiçoara ao senhor Enzo e ao menino Davi seria uma mentira.
E agora, não importava o que acontecesse, eu não deixaria aquela casa. Acho que meu coração voltou a bater. E o motivo pelo qual ele errava a batida estava lá.
Agora eu precisava voltar a trabalhar na procura de quem dopou o senhor Enzo e qual a intenção.
Alguém tentou prejudicá-lo. E aquilo não era uma galhofa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Excelente leitura...