— Jura que nunca vai desmascarar ela? — Will sussurrou no meu ouvido enquanto observava Letícia sentada à nossa frente, à mesa, ao lado do pai de Michael.
Quando olhei na direção de Letícia, ela estava me encarando. Sorri e levantei a taça em sua direção, deixando claro que eu não me importava com a sua presença. E não tinha medo das ameaças com relação à eu contar a verdade sobre a traição dela.
— Não. Eu não vou desmascarar ela. — fui enfática com meu irmão — Michael precisa descobrir por si próprio. Eu já fiz muito por ele. É hora de aprender a viver sem mim.
— Estou me referindo ao pagamento da faculdade, bebê. Sério que ela vai levar os louros dessa forma? Sinceramente, eu estou começando a ter medo da nossa prima. Porque uma pessoa que faz esse tipo de coisa, é capaz de matar e chorar no enterro.
— Hum... seus pensamentos mudaram, pelo visto. Lembro de “alguém” dizendo que o fato de Letícia ter me dado de aniversário de 13 anos um quadro dela mesma era algo normal e eu não deveria achar que era provocação.
— Em minha defesa, eu acreditei que nossa prima só era uma pessoa que se amava.
— E que, consequentemente, gostaria que todos a amassem também. — eu ri.
Michael chegou e me olhou brevemente antes de sentar-se à mesa, ao lado da noiva. Um beijo de língua, na frente de todos, selou o amor dos pombinhos. Da parte dela, uma provocação que não me provocava. Do dele, alguém que encerrou o beijo de forma prematura, ficando sem jeito enquanto me olhava de soslaio.
Ah, lembrei! Agora ele tinha “certeza” do que eu sentia por ele. Ou melhor, senti. Então achou que não era de bom tom me fazer sofrer com o “amor” deles.
O local escolhido para a comemoração da formatura foi um lugar que sempre quisemos conhecer. Caro demais para podermos bancar. Barato demais para o presente que Letícia decidiu dar ao noivo. Ou melhor, barato comparado ao preço que ela pagou pela faculdade de Michael.
O salão era amplo e a decoração, bem como mesas, cadeiras e lustres, de muito bom gosto. As mesas eram redondas e comportavam um bom número de pessoas. De onde estávamos, dava para avistar um belo jardim, com gramado que imaginei que fosse verdejante a luz do sol.
Os garçons eram ágeis e gentis e o cardápio, para nossa condição social, luxuoso. O único problema é que era composto basicamente por frutos do mar. E, no meu estado, eu não podia comer aquilo. Não só pelo fato de grande parte do que era oferecido ser cru, como também porque, dentre as opções do cardápio, muitas coisas eu nunca tinha comido e tive medo de dar alergia.
Enquanto todos pediam e já começavam a comer, meu prato seguia vazio. Will me ofertava algumas coisas com seu próprio garfo, mas eu recusava gentilmente.
Claro que meu irmão devia estar bem intrigado pelo fato de eu não estar comendo, pois sabia que eu amava comidas. Mas ele não faria perguntas, já que a conversa estava animada e todos prestavam atenção a cada frase dita e alimento provado. E, certamente passava pela cabeça de Will que eu estava tendo uma crise de tristeza por Michael e Letícia.
— Não vai comer, filha? — meu pai notou.
Papai nem era tão observador assim. Por que, justo naquela noite, decidiu ser?
— Eu... eu... não gosto muito de frutos do mar. — menti — e... como não comi algumas dessas coisas... tenho medo de ter alergia. — nessa parte eu fui sincera.
— Mas você gosta de sushi. — Michael observou.
— Eu gostei. Hoje não gosto mais.

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