Eu era uma pessoa tranquila. Mas não idiota. Claro que não me aproveitaria da situação para usar algo sensual. Mas ficar de uniforme era provar a Shirley que ela mandava. E não, ela não mandava nada ali. Enzo era o dono daquela casa. E só ele podia tomar decisões. E naquela noite, a decisão dele foi de que eu participaria do jantar.
Quando cheguei na sala de jantar principal, Enzo estava sentado numa poltrona, bebendo alguma coisa. Davi lhe mostrava o celular e os dois riam. E Shirley estava sentada na poltrona da frente, observando-os.
Quando os olhos de Enzo encontraram os meus, senti um frio na barriga e tudo rodar levemente. E não, eu não iria desmaiar. Não dessa vez.
Ele levantou-se e veio na minha direção:
— Dois minutos adiantada. — falou, a alguns centímetros de mim.
— Às vezes... eu consigo. — mordi o lábio. — sobre o uniforme. Como eu não sabia que...
— Seu vestido está ótimo. — ele passeou os olhos pelo meu corpo, não escondendo um breve sorriso, que só eu percebi.
Senti minhas bochechas ruborizarem. Eu transava com ele sem problemas. E as palavras sujas que ele me dizia não me davam vergonha. Mas elogios sim. Era estranho vê-lo me tratando daquele jeito. E parecendo estar tentando... flertar.
Eu era péssima em flertes. Experiência zero. Sem contar o medo que eu tinha de que tudo fosse coisa da minha cabeça e Enzo só estivesse sendo... gentil. Gentil porque, naquele dia, ele era o Enzo do bem. A Rutinha. Mas amanhã poderia ser a Raquel. E eu que lutasse.
Eu tinha usado um vestido rosa, leve, simples. E nos pés optei um tênis branco. Óbvio que eu não tinha trazido roupas para um encontro quando decidi trabalhar naquela casa.
Caralho, aquilo não era um encontro!
— Maria, Maria... você veio. E sentará do meu lado. — Davi me pegou pela mão.
— Não, Davi. Shirley sentará ao seu lado. — Enzo foi enfático.
— Mas, papai...
— Maria Fernanda sentará na sua frente.
Davi bufou e foi em direção à mesa. Deparei-me com o lugar impecavelmente arrumado. As louças eram brancas, sem detalhes. Os talheres estavam alinhados com precisão e os guardanapos de linhos dobrados de forma meticulosa. Tudo sofisticado demais para uma pessoa como eu.
— Eu... optei por um cardápio diferente hoje — Enzo explicou, enquanto eu o acompanhava à mesa — quero que tenha uma experiência diferente... e entenda que batatas fritas estão longe de ser algo gostoso. — puxou a cadeira para eu sentar, de forma gentil.
Sentei-me e meu coração parecia querer saltar para fora do peito. Fiquei de frente para Davi.
— Papai, por que a mesa está desse jeito? Por que eu estou colado na Shirley? Por que os pratos estão tão juntos? Por que tem essa coisa cobrindo a mesa?
— Essa coisa se chama toalha, Davi. — Enzo explicou, achando engraçado.
— Ele... não sabe o que é toalha? — eu ri, surpresa.
— Geralmente não usamos toalhas à mesa. Só quando é uma ocasião especial. — ele disse no exato momento que se sentou ao meu lado.
Olhei para os lugares à mesa e eram só quatro. Ou seja... eu não tinha a mínima noção de qual ocasião especial estávamos comemorando.
Pietra entrou com o primeiro prato. Me olhou de soslaio e disse para Enzo, de forma respeitosa:
— Senhor, está satisfeito com a forma como a mesa foi arrumada?
— Sim. — ele confirmou.
— Mesmo... com os lugares... tão próximos? Fiquei na dúvida se tinha entendido errado as suas ordens.

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