— Bem... — tentei puxar conversa, mas não saiu. Tive medo da minha voz falhar.
O silêncio foi quase mortal.
— Eu... não sabia que você vinha para essa ala. A dos empregados, no caso. — tentei quebrar o silêncio que me sufocava.
— Eu não venho. Quer dizer, nunca vim.
— E está aqui por...
— Eu... não beijei a Shirley.
Senti meu coração acelerar ainda mais. E me escorei no batente da porta, tentando não cair.
— Isso... quer dizer que ela... está bem?
— Você se importa?
— Não. — fui sincera — eu acho que ela pode ter... fingido aquele desmaio.
— Por qual motivo ela faria isso?
— Para chamar a atenção do senhor.
— Senhor?
— Ah... esqueci que agora é... Enzo. — só não sabia por quanto tempo.
Novamente aquele silêncio horrível.
— Enzo... o que você está fazendo aqui?
— Na verdade, eu queria te desejar boa-noite.
Muito fofo. Mas vai me comer quando? Ainda bem que só pensei, mas não falei. Porra, eu estava ficando uma babá pervertida. Para quem achava que todas as minhas concorrentes estavam ali só por conta do pai do Davi, eu me saía mil vezes pior que elas. Porque eu era ambiciosa. Queria os dois para mim. O pai e o filho. Para sempre.
Minha respiração acelerou. E eu sabia que tinha que dar um fim naquilo e dizer que estava grata, mas que era hora de ele ir embora.

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