— O que temos em comum? Ou melhor, o que temos em comum que se liga de alguma forma a “galhofa”?
— Aayush.
— Aayush?
— Ele também conversou comigo sobre galhofas.
— Desde quando Aayush sabe sobre galhofas?
Fiquei satisfeito quando me certifiquei que a questão de galhofas era algo entre Aayush e eu, não compartilhado com Zadock. Eu admitia que era ciumento. Com meu filho, com meu assistente, com a minha esposa. E até com o meu sofá onde Zadock colocava a sua bunda naquele momento, sem permissão.
— O que você quer aqui, me distraindo quando estou na melhor parte do filme? — questionei.
— Esse homem... é para ser um monstro? — Zadock apontou para a tela.
— De início achei que era um monstro. Mas agora entendi que é um gigante gentil.
— Gigante gentil?
— Apesar da aparência, ele não é ruim. É do bem. Ficou do lado dos Goonies.
— Os Goonies... são as crianças?
— Sim.
— Por que eles querem o tesouro?
— Para pagar a... — o olhei, vidrado na televisão — Você realmente está interessado nisso? Por que, afinal, está aqui?
— Vim falar sobre os detalhes finais da transferência dos setores de produção.
— Às oito horas da noite?
— Minha Korth não passou bem o dia. Esperei que o médico dissesse que não era nada sério, só um simples resfriado. Então passei o dia envolvido nisso. Quando embarquei no jato já eram cinco horas. Pensei em passar a noite num hotel, mas optei por vir hoje falar com você e logo seguida de volta para Noriah Norte. Derringer e Korth não conseguem ficar muito tempo longe de mim.
— Entendo. Maçãzinha e Davi também são assim.
— Ma... çãzinha?
— Apelido que dei para minha esposa.
— A... babá?
— Ela não sabe que é minha esposa. Então... está brincando de babá do Davi.
— Quem, em sã consciência, apelida uma pessoa de Maçãzinha?
— Quem, em sã consciência, apelida a esposa e a própria filha com nome de armas?
— Derringer, pequena, mas letal. Korth, a arma mais cara da indústria bélica. É sobre o que elas significam para mim. Uma maçã... é só a porra de uma maçã... a fruta mais sem graça que existe.
— Já gozou numa maçã?
— Acha mesmo que vou falar da minha vida sexual com você?
— Eu gozei na maçã que ela tem na bunda.
— Simplesmente existe. De uma forma como nunca antes existiu.
— Você sente isso?
— Eu sabia que Caliana consumiria o meu coração e a minha alma. Era letal. Ainda assim... preferia morto por ela. Não me arrependo de nada do que eu fiz. Se eu não tivesse a obrigado a casar comigo, ela teria ido embora e a possibilidade de nunca mais nos vermos era gigantesca. Preferi não arriscar. E se eu tivesse a deixado fugir, poderia não a encontrar novamente. Se você está apaixonado... não tem mais o que fazer. Será um morto-vivo longe dela. Não existirá. Simplesmente “sobreviverá”, mas jamais “viverá” de novo.
— Eu odiei ter essa conversa com você.
— E acha que eu gostei? Meu piloto irá descansar um pouco antes de voarmos de volta para casa. Será que pode... voltar o filme para o início?
— Que gosto você acha que tem pizza de calabresa?
— Não faço a menor ideia.
— Vou pedir. Você come primeiro. Se morrer, não provo.
— Se eu morrer, Derringer se vingará. Então, acho melhor me devolver vivo para ela. Jamais estará preparado para o que minha mulher pode fazer com você.
— A minha mulher consegue fazer coisas muito mais inacreditáveis...
— Como fazê-lo olhar um filme infantil com um monstro esquisito e comer pizza de calabresa? Sim, ela é letal.
— Sabe o que ela tem de mais letal? O beijo.
Ele olhou no relógio:
— Não tenho muito tempo. Volte o filme e peça a pizza. E se contar para alguém que eu fiz isso, considere a sua esposa viúva antes do saber que é casada, e o seu filho, órfão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...