Assim que Shirley se foi, demonstrando o quanto estava insatisfeita, Maçãzinha disse:
— Eu queria poder dizer que gosto dela. Mas não gosto. E, por algum motivo que eu não entendo, ela também não gosta de mim. Melhor explicando: eu não gosto dela porque ela nunca gostou de mim.
— Qual você acha que é o problema dela?
— O principal?
— Ela tem mais de um?
— Sim, muitos. Shirley não é uma boa babá. Mal se importa com Davi. Acha que está na própria casa, quando aqui é o seu trabalho. A impressão que eu tenho é de que se acontecesse alguma coisa com Davi fora do seu horário, ela sequer se prestaria a ajudar.
— Dentre eles, qual é o principal? — cruzei os braços, curioso.
— O principal motivo pelo qual eu não gosto dela é porque Shirley está nesta casa com um único objetivo: cuidar de você e não de Davi.
— Hum... interessante. — eu ri. — você acha que ela não tem capacidade para cuidar de mim?
— Não sei. Me diga você, que já chamou ela algumas vezes no seu escritório para conversar em particular.
— Eu nunca fiz isso.
— Fez. E uma das vezes foi quando entrei nessa casa para me apresentar ao Davi. Inclusive você fez questão de arrastá-la para lá e depois dizer na minha frente que ela deveria te chamar de “Enzo”. — fez uma careta, furiosa.
— Ah, sim... naquele dia que você tinha um chupão no pescoço.
— Eu nunca deixei Michael chupar o meu pescoço. Ele fez de propósito porque sabia que você iria ver.
— E o que passou pela cabeça dele que eu faria se visse? — escorei-me na parede, percebendo o ciúme dela.
— Até então... ele achava que éramos namorados.
— E até então... éramos?
— Não, claro que não.
— E agora?
Ela deu um passo para trás e escorou-se na parede oposta à minha e ficamos distantes alguns metros.
— E agora? — ela cruzou os braços, como eu e sorriu, em tom provocador — me diga você o que eu sou.
— Não tenho certeza. Preciso me certificar de que você tem capacidade para cuidar de mim, assim como Shirley.
Ela mordeu o lábio com força e soltou os braços ao longo do corpo, andando pelo corredor, furiosa.
Corri atrás dela e a pus contra a parede, erguendo seus braços e esfregando-me em seu corpo, meu pau ficando ereto só de sentir a sua respiração contra a minha pele.
— Não estou aqui para cuidar de você e sim do Davi. — disse, entredentes, furiosa.
— Mas eu quero que você cuide de mim.
— Contrate uma babá de adulto. Aliás, Shirley adoraria ocupar esse cargo.
— Não existe babá de adulto. — sorri, me aproximando de seu pescoço e dando um beijo na sua clavícula.
— Verdade, não existe. Mas existe babá de idosos. Essa realmente é mais adequada para você.
— Odeio quando você me chama de velho. — suspirei, irritado, mas sem me separar dela, agora inalando seu aroma doce.
— Odeio quando você tenta me fazer ciúme.
A encarei, com nossos rostos a centímetros de distância:
— Você tem ciúme de mim?
— Não. — afastou os olhos dos meus.
— Admita que tem ciúme de mim. — eu ri, enquanto voltava ao seu pescoço, agora trilhando beijos leves em cada centímetro de sua pele macia.
— Mas eu não tenho. — mentiu.
— Odeio mentiras. — ofeguei.
— Eu tenho ciúme de você. — admitiu, arfando.
Peguei seu queixo e apertei de leve, a obrigando a olhar nos meus olhos:
— Eu morro de ciúme de você. E tenho vontade de arrancar os olhos de cada homem que se atreve a olhá-la.

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