Eu quase engasguei com a comida na minha boca. Will pigarreou e meu pai ficou encarando-o, estarrecido, como todos os presentes.
Enzo me encarou e depois tentou contornar a situação:
— Fogosa no sentido metafórico — tentou se justificar — eu quis dizer determinada, intensa, impossível de ignorar. Se fosse um incêndio, seria daqueles que... aquecem a casa inteira. Mas não daqueles que a gente precisa chamar os bombeiros.
O silêncio ficou ainda mais denso.
— Eu... juro que estou falando com todo respeito. — tentou — eu jamais me atreveria a mencionar palavras de conotação... sexual — franziu a testa, incerto — na frente do meu filho, claro.
— Óbvio que não — Will serviu-se de macarrão — imagino que você não seja do tipo que fala à mesa, não é mesmo, Enzo? É do tipo que age. — soltou uma risada.
Enzo me olhou. Sim, eu tinha contado ao meu irmão sobre os modos dele à mesa em sua mansão. Fiquei ruborizada.
— Está tudo bem, Enzo. — meu pai disse, de forma tranquila — imagino que esteja nervoso.
— Muito. — aquela frase me soou sincera.
Enzo tentou pegar o macarrão com o pegador, demonstrando dificuldade. Certamente o tipo de pessoa que nunca se serviu na vida, tendo sempre alguém que fizesse por ele. O tipo que teve babá desde que nasceu.
Toquei a mão dele com gentileza e o ajudei. Ele comprimiu os lábios quando me olhou, num gesto de agradecimento. E cumplicidade. Sim, por mais absurdo que aquilo poderia parecer, estávamos criando certa cumplicidade.
Cumplicidade me levou a reciprocidade. Lembrei da gentileza dele de me fazer gozar à mesa durante o nosso primeiro jantar juntos na mansão. Então decidir botar em prática, literalmente, a palavra “reciprocidade”. Contando com a cumplicidade dele, óbvio.
Enquanto a conversa à mesa pendeu para o lado da política, algo que eu sabia que Enzo entendia bem por conta de seus negócios e deixaria todos sem entender suas palavras e opiniões já que o lugar que ele ocupava na sociedade era totalmente diferente do nosso, optei por deixá-lo ocupado.
Levantei a perna e pus o pé entre as pernas dele.
Enzo deu um leve salto para trás com a cadeira e olhou para Letícia. Ela seguia conversando com Michael sobre qualquer assunto aleatório, tentando focar a atenção dele em si mesma.
Quando ele percebeu que não era ela, no exato momento que nossos olhos se encontraram, relaxou.
— O que acha, Fernanda? — Letícia perguntou algo, me deixando sem saber o que fazer, já que eu estava bem concentrada em abaixar e levantar o pé rapidamente, em movimentos frenéticos, percebendo que Enzo estava ficando duro.
Mordi o lábio e consegui desprender meus olhos de Enzo, virando para ela. Michael estava entre nós e curvou-se levemente para trás, a fim de que pudéssemos nos ver.
— Eu... não prestei atenção. — fui sincera.
Eu não era muito boa em fazer duas coisas ao mesmo tempo. Mas conforme o pau de Enzo endurecia no meu pé, tentei me concentrar na pergunta irrelevante de Letícia.
— Eu comentei que Michael me presenteou com um brinco de ouro amarelo. Mas minha preferência sempre foi o ouro branco. Então, para não ser taxada de ingrata — alisou o rosto de Michael — não sei fico com o brinco do jeito que ele me deu, ou mando colocar um filete de ouro branco, juntando nossos dois gostos.
— Ah... — sorri — eu super entendo a sua dúvida. Já aconteceu comigo e sei que é muito difícil. Foi tipo assim... eu falei para a minha samambaia e o cachorro que não tenho que queria comprar um barco, porém meu objetivo era um barco de sushi. Sem me consultar, o meu cachorro imaginário comprou-me uma lancha nova. Agradeci o gesto, mas educadamente recusei. Agora meu cachorro inexistente está me chamando de ingrata e minha samambaia está chateada porque esqueci de incluir ela no resto da história.
Enzo gemeu. Will não conteve o riso, abafando o gemido de Enzo. Michael deixou cair o garfo, tilintando no prato. E Davi, em sua inocência, quebrou o clima tenso:

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