Fico em silêncio por um instante, lutando para não deixar a raiva sair do controle. Nada disso pode escapar das minhas mãos.
— E como você pretende fazer isso? — pergunto, me aproximando. — A notícia já está em todo lugar. As fotos estão circulando. Vai fazer o quê, apagar a internet?
— Não — ela responde, calma demais. — Mas posso moldar a narrativa antes que ela saia completamente do controle.
— Ela está certa, Lucas — Owen finalmente fala. — Se não agirmos rápido, a Blair vai usar isso a favor dela no tribunal. Vai se fazer de vítima, te pintar como o marido traidor e a Ivy como… bem, você sabe.
— Então, o que precisa ser feito?
Natasha abre a bolsa e tira um tablet, desbloqueando a tela.
— Primeiro, precisamos emitir um comunicado oficial. Algo que confirme o divórcio, mas deixe claro que foi uma decisão amigável e…
— Não foi amigável — interrompo, seco. — Esse casamento era só um acordo empresarial que eu demorei demais para encerrar. E não vou mentir sobre isso.
— Sr. Sinclair — ela suspira, impaciente. — Não estou pedindo que você minta. Estou pedindo que o senhor não apague o fogo com gasolina. Se sair por aí dizendo que o casamento era uma farsa, a Blair vai usar isso contra você. E contra a Ivy.
— Então, o que você quer que eu diga?
— Que o casamento chegou ao fim de forma mútua. Que ambos decidiram seguir caminhos diferentes. Que o bem-estar do Oliver é a prioridade.
— E a Ivy? Como explicamos que as coisas não foram assim? — pergunto, encarando-a. — O que falamos sobre ela?
Natasha hesita.
— Nada.
— Como assim, nada?
— Quanto menos você falar sobre ela agora, melhor — explica, com cuidado. — Qualquer coisa que o senhor disser vai ser distorcida. Se confirmar o relacionamento, vão dizer que você traiu a Blair. Se negar, vão dizer que está mentindo. A melhor estratégia é… o silêncio.
— Silêncio — repito, incrédulo. — Você quer que eu deixe a mídia destruir a reputação da minha mulher sem fazer nada?
— Não é ficar sem fazer nada — Owen intervém. — É agir de forma estratégica. A Natasha está certa. Se você sair em defesa da Ivy agora, vai piorar tudo.
— E se eu não fizer nada, ela vai continuar sendo chamada de “a outra”, porra! — rebato, sentindo a raiva subir.
— Lucas — Natasha diz, com a voz firme. — Eu sei que você quer protegê-la. Mas a melhor forma de fazer isso agora é não alimentar a narrativa. Emitir um comunicado neutro, deixar a poeira baixar e, então, quando a audiência chegar, apresentamos os fatos. Mostramos que o casamento nunca existiu de verdade. Que era um acordo corporativo, sem vida conjugal, sem vínculo real. E que a Blair não é a vítima que está fingindo ser.
Passo a mão pelo rosto, exausto.
— E enquanto isso? Enquanto a “poeira baixa”, a Ivy aguenta tudo sozinha?
— Ela não está sozinha — Owen diz, firme. — Ela tem você. E nós vamos garantir que, quando chegar a hora, a verdade venha à tona e o nome dela seja limpo por completo.
Fecho os olhos, tentando organizar os pensamentos.
Natasha aproveita o silêncio e continua.


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