“Lucas Sinclair”
Os últimos dias desde que esqueci do mundo dentro daquela banheira com a Ivy passaram rápido demais.
Ou talvez tenham passado devagar demais, carregando um tipo de tensão que não se resolve, só se acumula.
Saio mais cedo do que o normal, volto mais tarde do que o normal, me divido em mil tentando conter cada movimento de Alfred para desestabilizar minha empresa, enquanto espero Owen encontrar algo concreto.
E, mesmo assim, a sensação de estar sempre um passo atrás não vai embora. Porque, embora a investigação tenha avançado, não foi o suficiente.
Nada nunca é suficiente quando você sabe que está lutando em várias frentes ao mesmo tempo.
Meus pensamentos são interrompidos com a porta se abrindo abruptamente. Owen nunca b**e, especialmente quando tem algo importante.
Ele simplesmente entra, fecha a porta com pressa e coloca o que tem na minha mesa sem rodeios.
Hoje não é diferente.
— Consegui, porra — ele diz, satisfeito, empurrando uma pasta. — Alfred Knight. Esse é o nome por trás da empresa em Delaware!
Enquanto Owen se senta, fico olhando para o documento por um segundo antes de pegá-lo.
Não é surpresa. Não de verdade.
Mas ver o nome dele ali, preto no branco, me traz a sensação de finalmente ter uma recompensa depois de dias de um enorme nada.
Folheio os documentos em silêncio. Constituição da empresa, movimentações, o rastro jurídico que levou até ele.
Tudo limpo demais para ser acaso. Cuidadoso demais para ser amador.
— Demorou — murmuro, mais para mim do que para Owen. — Como chegamos até ele?
Owen se recosta na cadeira, cruzando as pernas com a calma de quem já organizou tudo na cabeça antes de entrar aqui.
— Um nome puxou outro — ele diz. — A empresa foi registrada por um escritório pequeno, mas o contrato de constituição foi revisado por um escritório maior depois. Um daqueles que você só contrata quando percebe que deixou rastros demais.
— E esse escritório maior?
— Essa é a parte que fecha tudo — murmura, se inclinando para frente. — O escritório maior tem um histórico de trabalhar exclusivamente para um círculo de clientes muito específico. Alfred Knight está nesse círculo há onze anos.
— Isso é circunstancial.
— Era. Até o sócio decidir que anos de lealdade não valem uma acusação de cumplicidade em homicídio.
Paro de folhear os papéis e levanto os olhos para encará-lo.
— Ele falou.
— Falou o suficiente — ele confirma. — Não assinou nada ainda, mas o promotor já tem o depoimento informal. A empresa foi contratada em nome de Alfred. Ele deu a ordem, mesmo que indiretamente.
Fecho a pasta com um movimento seco e a deixo sobre a mesa. Por um segundo, fico olhando para o nada, finalmente vendo as peças se encaixando com clareza.
Quinze dias.
Duas semanas desde que encontramos Lily numa sala claustrofóbica e achamos que tínhamos tempo.

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