“Lucas Sinclair”
O médico caminha na nossa direção com a prancheta nas mãos e aquele olhar treinado para não revelar absolutamente nada antes da hora.
Me desgrudo do abraço de Ivy sem perceber, como se meu corpo soubesse que precisa estar pronto para ouvir o que vem a seguir.
— Fizemos o possível para estabilizá-lo — ele começa, medindo cada palavra. — A cirurgia foi bem-sucedida dentro do que esperávamos, considerando a gravidade da lesão.
Solto o ar devagar, como se alguém tivesse soltado algo que estava me esmagando por dentro desde o acidente.
— Oliver ainda está em estado grave — continua. — Mas ele respondeu à transfusão e conseguimos controlar o sangramento.
— Ele vai ficar bem? — pergunto, num fio de voz.
O médico hesita por um, dois segundos.
— Ainda não podemos afirmar isso com certeza, pois as próximas horas serão decisivas — diz, por fim. — A laceração foi extensa, e o corpo dele passou por um trauma significativo. Mas os sinais são positivos. Se continuar assim durante a noite, as chances de recuperação completa são altas.
— Posso vê-lo?
— Em breve. Ele está sendo transferido para a UTI pediátrica agora. Assim que estiver instalado, alguém vai buscá-lo.
Ele continua explicando mais algumas coisas sobre monitoramento, sobre as próximas horas, sobre o que esperar. Ouço tudo, processo tudo, mas não absorvo metade.
Porque meu filho está vivo.
Quando o médico se afasta, Owen coloca a mão no meu ombro por um segundo, me dando força antes de se afastar também.
Fico parado no corredor, olhando para o nada enquanto processo essas últimas horas. Tudo se mistura. O acidente. O sangue. O silêncio. A pergunta.
Meu filho.
A palavra passa pela minha cabeça com uma clareza que não tem nada de dúvida.
Mas não importa o que aquela pergunta significou.
Oliver é meu filho.
Ivy encosta no meu braço, me trazendo de volta à realidade, e pisco algumas vezes antes de olhar para ela.
Os olhos dela estão vermelhos, o cabelo ainda bagunçado da chuva, o curativo branco no braço onde deu o sangue que salvou meu filho.
— Você deu seu sangue para ele — digo, olhando para o curativo no braço dela.
— Dei. E daria tudo o que fosse preciso para vê-lo bem.
— Eu sei — respondo, baixo.
Fico olhando para o curativo por um segundo a mais do que deveria.
O sangue dela corre agora no corpo do meu filho. E isso, por si só, já diz mais do que qualquer palavra.
— Obrigado — acrescento, sem saber exatamente se isso é suficiente.
Porque não é. Não chega nem perto.

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