“Três meses depois… Ivy Collins”
Manhattan nunca pareceu tão acolhedora quanto agora.
O outono chegou suave, com folhas alaranjadas caindo nas calçadas e um vento fresco que entra pelas janelas da casa todas as manhãs.
A nossa rotina se estabilizou de um jeito que ainda me surpreende: Lucas saindo para a empresa de manhã, eu dividindo meu tempo entre estudar para as provas de admissão e ajudar com os meninos, Oliver e Liam voltando da escola com histórias intermináveis sobre o dia.
E, no meio de tudo isso, a palavra “mamãe” sai da boca de Oliver com tanta naturalidade, mas, ainda assim, meu coração aperta toda vez que escuto.
Hoje é um daqueles dias comuns que parecem especiais só porque estamos juntos.
Estou sentada à mesa do escritório de Lucas, que agora se tornou praticamente meu, com o notebook aberto e uma pilha de livros de biologia e química ao lado, quando ouço batidas na porta.
Desvio os olhos da tela e espero. Lucas aparece pouco depois, com um envelope grosso na mão. Ele para na porta e olha para mim com aquele sorriso de quem quer manter o mistério um pouco mais.
— Chegou para você.
Meu coração dá um salto, porque eu sei exatamente o que é antes mesmo de pegar o envelope. Meus dedos tremem um pouco quando pego o papel grosso, com o selo da universidade estampado na frente.
Lucas se aproxima por trás, apoiando as mãos grandes nos meus ombros enquanto eu abro o envelope com cuidado.
“Prezada Ivy Collins Harris,
Temos o prazer de informar que você foi aceita no curso de Medicina da New York University…”
Imediatamente, paro de ler em voz alta. As palavras dançam na minha frente enquanto o resto da carta fala sobre datas, matrícula e orientações para o próximo semestre.
Aceita. Na NYU.
E a melhor parte é que… fica aqui em Nova York. Perto de casa. Perto dele. Perto dos meninos.
— Eu consegui… — sussurro, ainda sem acreditar completamente.
Lucas me vira na cadeira com delicadeza e se agacha na minha frente, segurando meu rosto com as duas mãos. Seus olhos verdes estão brilhando de orgulho.
— Você conseguiu, meu amor. Eu sabia que você conseguiria.
Tento rir, mas o som sai falhado porque as lágrimas já estão descendo. Lucas me puxa para um abraço apertado, beijando minha testa, minhas bochechas, minha boca.
— Estou tão orgulhoso de você — ele murmura contra meus lábios. — Tão orgulhoso.
Oliver e Liam entram no escritório nesse exato momento, fazendo sons com a boca enquanto correm com os dinossauros nas mãos.
Quando me veem chorando, os dois congelam com os brinquedos no alto e franzem a sobrancelha.
— O que aconteceu? — Oliver pergunta, parando de repente, claramente preocupado. — Mamãe, você está triste?
A palavra “mamãe” sai tão natural da boca dele que choro ainda mais. Enxugo as lágrimas, me ajoelho para ficar na altura deles e sorrio.
— Não, filho. Estou muito, muito feliz. Olha aqui.
Mostro a carta para os dois. Liam, que já está começando a ler, franze a testa percorrendo os olhinhos pelas linhas enquanto Oliver olha por cima do ombro dele.

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