“Alguns dias depois... Lucas Sinclair”
Sempre fui acostumado a acordar junto com o sol, e hoje tenho mais um motivo para me levantar sem preguiça.
Hoje é o aniversário da Ivy. Vinte anos. E merece ser um dia especial.
Tiro o braço de cima da cintura dela com cuidado, devagar, para não acordá-la. Ivy continua dormindo profundamente, com o cabelo espalhado no travesseiro e a respiração calma e ritmada.
Fico olhando por alguns segundos, sentindo aquele calor familiar que só ela consegue causar. Minha namorada. Minha atrevida. A mulher que mudou tudo.
Levanto sem fazer barulho, visto uma calça de moletom, a primeira camisa que encontro e desço as escadas nas pontas dos pés.
Os meninos ainda estão dormindo e a casa continua silenciosa.
Encontro a senhora Mallory na cozinha, já começando o dia. Quando me vê, ela sorri educadamente e ajeita a postura automaticamente.
— Bom dia, Sr. Sinclair. A Sra. Hargrave já está preparando seu café.
— Bom dia, Sra. Mallory. Não precisa se preocupar com isso agora.
A governanta franze as sobrancelhas, confusa, enquanto me encosto na bancada de mármore.
— Hoje é um dia especial — continuo. — Peça que preparem o café da manhã da Ivy exatamente como ela gosta: ovos mexidos com queijo, torradas com abacate, frutas e aquele café com leite e canela que ela adora. Capricha, por favor. E acrescente aqueles croissants de chocolate que ela sempre rouba da Sra. Hargrave e pensa que ninguém percebe.
A Sra. Mallory sorri, já anotando mentalmente.
— Pode deixar. Vou deixar tudo perfeito para a nossa menina.
— Obrigado. Vou malhar um pouco enquanto isso. Me avise quando estiver pronto.
Desço para a academia no subsolo da mansão. Acendo as luzes, coloco os fones e começo o treino.
Hoje não é dia de sequência pesada. Faço só o suficiente para soltar a tensão do corpo e acalmar a mente: alguns minutos de corrida na esteira, supino, barra…
O treino sai mais rápido do que o habitual, mas cumpre o objetivo: me deixa mais leve, mais presente.
Quarenta minutos depois, subo de volta. O cheiro bom de café e comida já toma conta da cozinha.
A Sra. Mallory aparece com uma bandeja grande nas mãos, arrumada com carinho, flores frescas num vasinho pequeno e tudo exatamente como pedi.
— Perfeito. Obrigado, Sra. Mallory — digo, pegando a bandeja. — Ah! E peça para acordarem os meninos, por favor.
— Vou lá agora mesmo, senhor.
Subo as escadas e volto para o quarto em silêncio. Ivy ainda está dormindo na mesma posição.
Coloco a bandeja na mesinha de cabeceira, sento na beira da cama e me inclino sobre ela. Afasto uma mecha de cabelo do rosto dela com cuidado e beijo sua testa, depois sua bochecha, depois o canto da boca.
— Acorda, aniversariante — murmuro contra a pele dela, beijando seus lábios. — Feliz aniversário, meu amor.
Ela se mexe devagar, piscando lentamente contra a luz do sol que entra pela cortina. Quando os olhos dela encontram os meus, um sorriso preguiçoso surge em seu rosto.
— Lucas… que horas são?
— Cedo o suficiente para eu ter tirado o dia de folga só para você.
Ivy ri, surpresa, abraçando os dois ao mesmo tempo.
— Vocês acordaram cedo só para isso?
— O papai mandou acordar a gente — Oliver confessa, apontando para mim sem culpa nenhuma. — A Sra. Mallory disse que ele mandou porque hoje é dia de fazer a mamãe feliz o dia inteiro.
Levanto as mãos, mas não finjo inocência.
— Completamente culpado.
Ivy beija a testa de cada um, com os olhos brilhando de emoção.
— Obrigada, meus amores. Vocês são os melhores presentes que eu poderia ter.
Os meninos se acomodam na cama, roubando pedaços de fruta e croissant. O quarto, que estava quieto há poucos minutos, agora está cheio de risadas e vozes infantis.
Observo a cena, sentindo aquela sensação de completude que sempre aparece quando ficamos juntos.
Quando o café da manhã termina e os meninos começam a ficar inquietos, me inclino e beijo a testa da Ivy.
— Dorme mais um pouco, meu amor — sussurro, descendo os lábios para beijar a boca dela. — O dia está só começando e eu prometo que vai ser inesquecível.
Ela levanta o rosto para me encarar, sorrindo daquele jeito que sempre me deixa louco.
— Com você, sempre é.

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