Mordo o lábio sob o olhar de Lucas e, por um segundo, me arrependo de ter provocado.
Ele inclina a cabeça e me encara como se estivesse avaliando uma decisão que já escapou do controle. Então dá um passo na minha direção e, instintivamente, meu corpo trava.
Não consigo ir nem para frente, nem para trás. Fico presa entre a parede fria e o homem que insiste em fingir que não me quer, enquanto me olha como se estivesse memorizando cada detalhe.
— Você gosta mesmo de provocar — ele diz, baixo, rouco.
— Só fiz uma pergunta — respondo, tentando manter a voz firme.
— Não — ele corrige, sem tirar os olhos de mim. — Você testou um limite.
— E você passou dele? — pergunto, antes mesmo de pensar melhor.
— Ainda não — responde, com um quase sorriso no canto da boca. — Mas você está brincando perigosamente com isso.
Engulo em seco e levanto o rosto, fingindo indiferença. Meu coração, porém, b**e rápido demais para sustentar a farsa.
Num movimento lento e deliberado, Lucas apoia uma das mãos na parede ao meu lado, sem me tocar, mas me cercando.
— Enquanto estiver aqui, você precisa entender uma coisa — continua, ao notar meu silêncio. — Tudo o que acontece nesta casa passa por mim.
O olhar dele desce pelo meu corpo sem pressa, sem pudor. Não é desejo escancarado. É algo pior.
Posse silenciosa.
— Conversas, aproximações, intenções… — ele completa, voltando a me olhar nos olhos. — Inclusive as suas.
— Você é meu chefe, não meu dono — rebato, indignada, embora minha voz saia mais baixa do que eu gostaria. — E, como você mesmo disse, estou de folga. O que faço não te diz respeito.
Lucas inclina a cabeça, analisando meu rosto como se eu fosse um problema interessante demais para ser ignorado.
— Nunca disse que você era minha — ele diz, num tom perigosamente calmo. — Mas você está sob meu teto. Trabalha para mim. Convive com meu filho. Isso exige limites claros.
— Engraçado você falar de limites — retruco, levantando o queixo apesar do nervosismo. — Logo você, que está aqui me encurralando contra uma parede.
Lucas solta uma risada curta, sem humor algum.
— E você continua aqui — diz, aproximando o rosto o suficiente para que eu sinta sua respiração contra minha pele. — Porque, se quisesse ir embora, já teria ido. Mas está aqui. Me desafiando. Me provocando.
— Eu não estou…
— Está — ele corta, e os olhos dele descem para minha boca. — E sabe o que é pior?
Não consigo responder. Mal consigo respirar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Proibida do CEO