“Lucas Sinclair”
Entro no elevador e aperto o botão do décimo andar com mais força do que o necessário.
— Fiz a coisa certa — murmuro, ajeitando a gravata.
Ivy Collins não tem qualificações. Não tem experiência profissional. E tem dezenove anos, pelo amor de Deus.
Dezenove. Quinze anos mais nova do que eu.
Passo a mão pelo rosto, tentando afastar a imagem dela sentada no meu colo no sofá daquela boate. Das minhas mãos no corpo dela. Do gosto da boca dela na minha.
— Eu estava bêbado — digo, baixo. — Só pode.
Mesmo sabendo que não estava. Uma dose de whisky nunca me deixaria bêbado.
Mas preciso de uma desculpa. Qualquer uma que justifique por que beijei uma garota de dezenove anos.
O elevador para e as portas se abrem.
Foco, Lucas.
Tenho uma reunião de sessenta milhões de dólares me esperando. Não posso perder tempo pensando em babás desqualificadas que invadem empresas… e beijam melhor do que deveriam.
Caminho pelo corredor e entro na sala de reuniões.
Os três investidores italianos já estão sentados, conversando entre si. Ao me verem, se levantam e me cumprimentam com apertos de mão.
— Senhores, sintam-se à vontade — digo, indicando as cadeiras. — Minha vice-presidente não poderá estar presente hoje porque…
A porta se abre, me interrompendo.
Sophia entra na sala. Tranquila demais.
— Bom dia, senhores — cumprimenta, com um sorriso profissional, antes de se sentar ao meu lado.
Franzo a testa.
O que ela está fazendo aqui?
— Podemos começar — um dos italianos diz, abrindo o notebook.
— Um momento — interrompo, me inclinando na direção de Sophia. — Onde está Oliver?
Ela me encara, confusa.
— Pensei que estivesse com você.
— Mandei meu filho ir para a sua sala — sussurro, sentindo algo errado surgir.
— Ele não foi, Lucas — responde, baixando o tom, visivelmente nervosa. — Achei que a Sra. Mallory já tivesse ido buscá-lo.
Meu maxilar trava e meu coração falha por um segundo inteiro.
Levanto num movimento brusco, fazendo a cadeira arrastar no chão.
— Senhores, vou precisar adiar esta reunião — anuncio, já pegando o celular. — Surgiu uma emergência.
Os italianos trocam olhares confusos, mas assentem.
Saio da sala com Sophia logo atrás de mim.
— Lucas, eu juro que achei que…
— Avisa a segurança — corto, acelerando o passo. — E pede para checarem as câmeras. Agora.
Ela assente e desaparece pelo corredor enquanto sigo na direção oposta.
Meu coração dispara. Rápido demais.
Oliver tem quatro anos. Pode ter se machucado. Pode ter entrado em um elevador sozinho. Pode ter…
Calma. Preciso de calma. Pânico não resolve nada.
Vou direto para a minha sala, empurro a porta com força e olho ao redor.
Vazio.
— Porra — murmuro, saindo e voltando pelo corredor.
Confiro o banheiro, a sala da Sophia, até a copa.
Nada.
Onde o Oliver se enfiou?
Passo pela recepção e a moça me olha, assustada.
— Sr. Sinclair, posso ajudar em…?
— Viu meu filho por aqui?
— Não, senhor. Desculpe.
Continuo andando, cada vez mais rápido, até ouvir uma risada alta e inconfundível, vindo da sala de descanso no fim do corredor.
Corro até lá, empurro a porta e…
Paro.
Oliver está sentado no chão, cercado pelas almofadas do sofá que ele claramente arrancou e espalhou pelo canto.
E, ao lado dele, também sentada no chão, pernas cruzadas e o cabelo ruivo meio bagunçado, está Ivy.
Ela segura um copo plástico como se fosse um microfone, usando uma voz grave e completamente ridícula.
— Eu sou o terrível Dr. Copo Malvado! — anuncia, movimentando o copo. — E vou roubar todas as teias do Homem-Aranha!
Oliver ri. De verdade.
Aquela risada alta, sem birra ou raiva. Algo que eu não ouço há…
Quanto tempo faz que não ouço meu filho rir assim?
Meu peito aperta de um jeito que não deveria, porque a cena na minha frente é tudo que quero para Oliver.
— Mas você não vai conseguir! — Oliver grita, erguendo o boneco do Homem-Aranha. — Porque EU vou te parar!


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