“Ivy Collins”
Já se passaram dez dias desde aquela conversa no escritório.
Dez dias desde que Lucas decidiu que se afastar era “o certo a fazer”.
Dez dias desde que ele inventou uma desculpa esfarrapada sobre “resolver pendências da empresa em Boston” e simplesmente sumiu.
Acreditei… por pouco tempo.
Só até Sophia deixar escapar, numa de suas visitas, que as atividades da empresa só voltariam no segundo dia útil do ano e que só então Lucas iria para Boston.
Mas, sinceramente? Tanto faz.
Se Lucas quer fugir, problema dele.
Porque ele está certo em uma coisa: tenho coisas mais importantes para me preocupar.
Isso, claro, não torna tudo mais fácil.
Com a ausência dele, a casa ficou estranhamente silenciosa. E, como se não bastasse, Blair também não ficou por aqui. Logo depois de voltar do tal spa, foi passar o Ano Novo em um resort chique, sabe-se lá onde.
Sobrou eu, Oliver, quando não estava com os avós, e a Sra. Mallory.
E, por falar nela, para minha surpresa, a governanta finalmente parou de me encarar como se eu fosse sair correndo com a prataria debaixo do braço.
Não… não viramos melhores amigas. Mas existe uma trégua silenciosa agora. Ontem, inclusive, ela me ofereceu chá sem que eu pedisse.
Progresso.
— IVY! IVY, OLHA! O T-REX ESTÁ ATACANDO A NAVE ESPACIAL!
A voz aguda de Oliver me arranca dos pensamentos.
Olho ao redor da sala de brinquedos, tomada por dinossauros de borracha e naves espaciais.
Oliver desenvolveu uma nova obsessão depois de passar o Ano Novo com os pais de Blair: dinossauros no espaço.
Agora, toda brincadeira envolve um Tiranossauro Rex pilotando uma nave ou um Tricerátops descobrindo um planeta novo.
É… criativo.
Pelo menos essa bagunça me mantém distraída o suficiente para não pensar em absolutamente nada que não seja o pequeno furacão à minha frente.
— Nossa, que perigo! — respondo, pegando o astronauta de ferro. — Mas o astronauta tem um plano secreto!
— Qual plano?! — Oliver pergunta, com os olhos brilhando de empolgação.
— Ele vai… — faço uma pausa dramática, e ele praticamente vibra de ansiedade. — …dar comida para o T-Rex! Porque todo mundo fica bonzinho depois de comer, né?
Ele explode numa risada, batendo palmas.
— É verdade! Eu também fico mais bonzinho depois de comer biscoito!
Sorrio e bagunço o cabelo dele.
Nos últimos dias, Oliver tem sido minha única constante.
Ele não sabe por que o pai viajou às pressas, não sabe que foi uma fuga disfarçada, não sabe de nada além de dinossauros, planetas e quando vai ser a próxima vez que vai comer sorvete.
E, honestamente? Invejo isso.
— IVY! IVY, DE NOVO! — ele grita, pulando no lugar.
Passo a mão no rosto, já cansada, mesmo sendo início da tarde. Oliver está em modo turbo, com a energia de quem comeu um quilo de jujuba em formato de minhoca.
— Que tal a gente ir ao parquinho? — sugiro, me levantando. — Você pode correr bastante lá.
— SIIIIIM! — ele grita, já disparando em direção à porta. — VOU PEGAR MEU CASACO!
Balanço a cabeça, sorrindo, e começo a recolher os brinquedos espalhados.
Pelo menos com ele, as coisas são simples.

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