“Lucas Sinclair”
Desembarco do jato particular e vou direto para o carro que já está me esperando na pista.
— Lenox Hill Hospital — digo ao motorista antes mesmo de fechar a porta. — Rápido.
Ele assente e acelera.
Pego o celular, verificando a hora pela quinta vez.
Uma hora e vinte minutos desde a ligação da Ivy.
Mais de uma hora imaginando o pior.
Porra, eu nunca deveria ter saído de Nova York.
Mas eu precisava de distância.
Da Ivy, daquela conversa, da maneira como ela me olhou quando disse que não ia estar disponível da próxima vez.
Uma tentativa de retomar meu autocontrole.
Agora meu filho está machucado, e eu não estava lá.
O trânsito está infernal, como sempre em Manhattan, e cada semáforo vermelho me faz apertar os punhos com mais força.
Quando finalmente chego ao hospital, nem espero o carro parar completamente. Abro a porta, entro e vou direto à recepção.
— Meu filho, Oliver Sinclair, deu entrada aqui há pouco mais de uma hora — digo, apoiando as mãos no balcão. — Onde ele está?
A recepcionista digita algo no computador, calma demais para a minha paciência.
— Ala pediátrica, terceiro andar, quarto 304 — ela responde, finalmente.
Não espero mais nada. Vou direto para o elevador, apertando o botão várias vezes, como se isso fosse fazê-lo subir mais rápido.
Quando as portas finalmente se abrem no terceiro andar, saio antes mesmo de se abrirem por completo.
307.
306.
305.
Paro em frente ao 304, respiro fundo e empurro a porta.
E a primeira coisa que vejo é Oliver.
Sentado na maca, com o braço imobilizado numa tala, mas acordado. Vivo. Bem.
O alívio me atinge imediatamente.
— Papai! — Ele grita assim que me vê, e os olhos se enchem de lágrimas outra vez. — Papai, eu caí! Machuquei meu braço!
Cruzo o quarto em três passos e me sento ao lado dele, segurando seu rostinho com as duas mãos.
— Eu sei, campeão, eu sei — murmuro, baixo. — Mas você está bem agora, tá? O que o médico disse?
— Ele disse que eu quebrei o braço, mas que vão me operar pra deixar tudo certinho de novo. E depois eu vou usar um gesso MUITO legal.
Meu estômago se contrai com a palavra operar, mas mantenho o rosto calmo.
— Você é muito corajoso, sabia? — digo, beijando a testa dele. — Muito corajoso.
— A Ivy também disse isso — ele murmura, limpando o rosto com a mão boa. — Ela ficou comigo o tempo todo. Não saiu nem um pouquinho.
É aí que finalmente me viro… e a vejo.
Ivy está encostada na janela do outro lado do quarto, com os braços cruzados e o rosto pálido. Os joelhos vermelhos e os olhos inchados.
Ela chorou.
— Oi — ela diz, baixinho.
— Oi — respondo, me levantando devagar.
O silêncio pesa por alguns segundos, até Oliver quebrá-lo.


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