“Ivy Collins”
Guardo o celular no bolso rapidamente, mas sei que Lucas viu quem mandou a mensagem.
A tensão nítida nos ombros dele, o maxilar travado e o jeito como me encara deixam isso óbvio.
— Sexta-feira — ele murmura, baixo. — Você realmente vai sair com o Eric na…
— Não — corto, firme, dando um passo para trás. — Você não vai fazer isso. Não vai agir como se tivesse algum direito de opinar sobre quem me manda mensagem. Principalmente quando foi você quem decidiu se afastar porque era “melhor pra mim”.
Ele abre a boca para responder, mas não dou espaço.
— Então, se vou ou não sair com o Eric, isso não diz respeito a você — continuo, cansada.
Lucas aperta os lábios, claramente se controlando, mas não rebate.
Bom.
Porque nós dois sabemos que aqui não é o melhor lugar para ter essa conversa.
— Agora, se me der licença, vou responder essa mensagem.
Me afasto antes que ele consiga dizer qualquer coisa e sigo pelo corredor até parar perto da janela que dá para o estacionamento.
Pego o celular de novo e abro a mensagem do Eric.
“Oi, Ivy! Está livre na sexta? Pensei que a gente podia finalmente sair, já que meu primo estragou nosso almoço em Greenwich. Que tal um jantar?”
Suspiro, passando a mão pelo rosto.
Eric é engraçado, atencioso, bonito e tudo o que deveria me interessar.
Mas… não é Lucas.
E esse é exatamente o problema.
Porque, por mais que eu tente, por mais que saiba que deveria seguir em frente… Lucas parece ter estragado todos os outros homens.
Afinal, meu coração ainda acelera quando o vejo. Meu corpo ainda reage quando nossos olhos se encontram. Meu estômago ainda aperta sempre que penso que foi ele quem decidiu se afastar.
Balanço a cabeça, irritada comigo mesma, e começo a digitar a resposta para Eric.
“Oi, Eric! Obrigada pelo convite, mas não sei se vou estar de folga na sexta. Não consigo confirmar nada agora, mas te aviso se conseguir ir.”
Envio antes que mude de ideia.
Não menti, realmente não sei se vou ter folga. Mas, sendo honesta? Também não sei se quero sair com o Eric.
Não porque o Lucas me proibiu, ele não manda em mim, mas porque… não seria justo.
Nem comigo, nem com ele.
Não quando ainda estou presa nessa confusão emocional perfeitamente organizada para dar errado.
Guardo o celular outra vez e fico alguns segundos encarando o estacionamento lá embaixo, as pessoas indo e vindo, cada uma com seus próprios dramas.
Nenhuma delas presa nesse limbo emocional ridículo que eu mesma criei.
Respiro fundo e volto para o corredor.
Lucas agora está sentado em uma das cadeiras, olhando fixamente para a porta da sala de cirurgia.
Ele me olha quando me aproximo, mas não diz nada, e faço o mesmo.
Os minutos passam devagar. Cada segundo parece durar uma hora.
— Quanto tempo leva? — murmuro, quebrando o silêncio, enquanto me sento ao lado dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Proibida do CEO