“Blair Knight-Sinclair”
Algum tempo antes...
A água quente escorre pelos meus ombros enquanto observo meu reflexo no espelho embaçado do banheiro.
Jasper está deitado na cama do quarto do hotel onde sempre viemos, completamente nu, com um braço jogado sobre os olhos.
— Pra que está se arrumando tanto? — pergunta, se sentando na cama. — Ninguém vai estar te esperando em casa.
Ignoro o comentário e pego o secador na bancada. Ligo o aparelho e aproveito o barulho para não precisar responder.
Pouco depois, desligo o secador e jogo os cabelos para trás dos ombros. Jasper aparece atrás de mim, segurando minha cintura.
— Por que você não larga tudo e fica comigo de vez? — murmura, beijando meu pescoço. — Estou me cansando disso.
Fecho os olhos por um segundo, sentindo o calor da boca dele contra minha pele. Mas a realidade b**e rápido demais.
— Você sabe que não posso — digo, me afastando e pegando o vestido pendurado. — Já tivemos essa conversa mil vezes. Não muda nada.
Ele solta uma risada seca e volta para o quarto. Enquanto visto o vestido, observo-o se vestir também.
Conheci Jasper há seis anos, quando meu pai o contratou como motorista particular da família. Ele era… bem, tudo o que eu não deveria querer. E, ainda assim, me fazia sentir viva.
Por alguns meses, me permiti viver essa ilusão. Até meu pai descobrir, e não foi nada bonito. Jasper perdeu o emprego por minha causa.
E eu? Meu pai sempre foi um estrategista. Me fez escolher entre Jasper ou Lucas.
Se escolhesse o primeiro, seria deserdada. Perderia minha casa, meu carro, meu luxo…
Então, escolhi a vida que levo hoje. Escolhi manter minha conta bancária.
Levei menos tempo tomando essa decisão do que levo para escolher um vestido.
Na véspera do casamento, ainda passei a noite com Jasper. Uma última vez, antes de subir naquele altar e fingir que estava feliz.
E, sinceramente, por pouco não fugi com ele.
Mas… amor não pagaria meus cartões de crédito. Especialmente quando esse amor vem com o salário de um simples motorista.
Então, Jasper se mudou para Chicago, tentou reconstruir a vida com outra.
Mas, quando veio Oliver, mais um peso que aguentei nesse casamento, decidi trazê-lo de volta, dois anos depois.
Ou eu enlouqueceria sem uma distração.
Fiz com que Jasper perdesse o emprego, a namoradinha, a nova vida… e ele não teve escolha.
Aceitou minha proposta de voltar e ser meu motorista. Meu amante particular.
Consegui o corpo dele de volta, mas o coração…
Esse nunca mais me pertenceu.
— Um dia, você vai se cansar dessa vida — ele resmunga, baixo. — E vai ter que escolher entre a sua felicidade e o seu dinh…
— Já decidi — corto, fria. — Há cinco anos. E estamos bem assim. Ou acha que conseguiria viajar pelo mundo, viver a vida que vive hoje, só com seu salário?
Jasper não responde. Na verdade, não há o que responder. Ele sabe que, se hoje tem um apartamento luxuoso, um carro esportivo e roupas caras, é porque fiz a escolha certa.
— Vamos — digo, pegando minha bolsa.
Ele pega a chave do carro e sai primeiro, abrindo a porta e me deixando para trás.
A viagem de volta se resume ao silêncio. Jasper mantém os olhos fixos na estrada, tenso como sempre fica quando tocamos em assuntos que não deveria.


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