Sophia me observa em silêncio por alguns segundos, como se ainda estivesse digerindo tudo.
— Sophia… — começo, mas ela levanta a mão, me interrompendo.
— Relaxa, Lucas. Não vou te dar sermão — diz, olhando para Ivy com um sorriso sincero. — Só estou surpresa. E, sendo bem honesta? Feliz.
— Feliz? — Franzo as sobrancelhas.
— Sim. Você sempre foi tão… controlado — responde, dando de ombros. — Tudo na sua vida é planejado. Faculdade, carreira, casamento. Até o Oliver foi… bom, não planejado, mas você deu um jeito de transformar até isso em algo controlável. Você nunca se permitiu sair desse roteiro.
Desvio o olhar, sem saber como responder. Sem saber como admitir que minha irmã está certa.
— Mas… — ela continua, gesticulando discretamente na direção de Ivy. — Agora você está completamente fora de controle. Está fazendo algo porque quer, não porque é o esperado. E, como sua irmã, isso me deixa feliz por você.
— Obrigado, pirralha — murmuro, deixando escapar um meio sorriso.
— Não precisa agradecer, rabugento — ela retruca, fazendo uma careta. — E podem relaxar. Não vou contar nada para ninguém. Isso é entre vocês dois. Mas…
Ela não termina, nem precisa.
Mas… se preparem. Porque nem todos pensarão como eu.
É nisso que penso desde o dia em que trouxe Ivy para este apartamento pela primeira vez.
— Bem… — Sophia continua, agora olhando para Owen e Tiffany. — Acho que já enchemos o saco desses dois. Eles precisam descansar. E nós também.
Tiffany assente, se inclina e beija a testa da amiga. Owen me observa por um segundo, sem dizer nada. Apenas dá um tapinha no meu ombro antes de sair.
Quando a porta se fecha, o apartamento mergulha no silêncio outra vez.
Volto para a cama e me sento ao lado dela.
— Como você está se sentindo? — pergunto, afastando uma mecha de cabelo do rosto dela.
— Lucas, eu que deveria fazer essa pergunta — responde, baixinho. — Você parece exausto.
— E estou — admito, passando a mão pelos cabelos. — Mas não vou dormir enquanto você não estiver melhor.
— Acho que um banho agora me faria sentir um pouco melhor — murmura, com a voz baixa. — Preciso tirar essa roupa.
— Então vamos — digo, me levantando e estendendo a mão.
Ivy esboça um sorriso fraco e aceita. Mas, assim que tenta se pôr de pé, as pernas dela vacilam e ela se desequilibra.
Reajo por instinto, segurando-a antes que caia.
— Você realmente escolhe cair quando estou por perto — murmuro, passando um braço por baixo dos joelhos e a pegando no colo.
— Culpada — ela responde, apoiando a cabeça no meu ombro. — E, se soubesse que continuar caindo significava ser carregada no colo, teria caído mais vezes.
Ela ri baixinho, e o som alivia um pouco da tensão que ainda carrego no corpo.
Levo-a até o banheiro e a coloco sentada na borda de mármore da banheira, sem desgrudar completamente, atento a qualquer sinal de fraqueza.
— Consegue ficar sozinha por um minuto?
— Acho que sim — responde, segurando firme na borda.
— Só vou preparar seu banho — digo, abrindo a torneira. — Tente não cair, por favor.
Ela assente.
Ajusto a temperatura da água e adiciono um pouco dos sais de banho que quase nunca uso, mas hoje parecem necessários. Ela merece conforto. Sempre.
Quando me viro, vejo Ivy tentando puxar o vestido, claramente sem forças.
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