“Lucas Sinclair”
Acordo devagar, com a luz suave da manhã entrando pelas frestas da cortina.
Viro a cabeça para o lado e encontro Ivy dormindo ao meu lado, completamente relaxada. Os cabelos ruivos estão espalhados pelo travesseiro, o rosto tranquilo, os lábios entreabertos.
Linda demais.
Normalmente, a essa hora, eu já estaria de pé. Café forte, sem açúcar, na mão; checando e-mails, revisando meus compromissos do dia, planejando reuniões. Depois, uma hora de exercícios para descarregar a tensão acumulada.
Sempre foi assim. Uma rotina rígida, controlada, sem espaço para… ficar parado, apenas observando alguém dormir.
Mas com Ivy tudo é diferente.
Me permito relaxar. Me permito apenas estar aqui, sem pressa, sem obrigações.
Porque, pela primeira vez em muito tempo, quero aproveitar o momento.
Sorrio de leve, sentindo algo estranho no peito. Algo que não sinto há muito tempo.
Paz.
Mas, claro, a paz dura pouco.
Ouço passos rápidos no corredor e meu corpo entra em alerta.
Oliver.
Antes que eu possa reagir, a maçaneta gira e a porta treme.
— PAPAI! — ele grita do outro lado, socando a porta. — A IVY SUMIU DE NOVO! ELA NÃO TÁ NO QUARTO DELA!
Ivy acorda assustada, olhando ao redor, confusa.
— O que… — ela começa, ainda sonolenta.
— Oliver — sussurro, apontando para a porta.
Ivy me olha e arregala os olhos, percebendo a situação. Ela está nua. Eu estou nu. Oliver está do outro lado da porta.
Merda.
— PAPAI!
Ela puxa as cobertas até o queixo, enquanto eu pulo da cama, pegando a calça do chão e vestindo-a às pressas.
— Já vou, campeão! — grito de volta, abotoando a calça enquanto vou até a porta.
Respiro fundo e abro a porta.
Oliver está parado no corredor, com os olhos vermelhos e o rosto molhado de lágrimas.
— A Ivy sumiu de novo, papai — ele soluça. — Eu procurei no quarto dela, mas ela não tava lá!
— A Ivy não sumiu — interrompo, abrindo a porta um pouco mais para que ele a veja. — Ela está aqui.
Oliver enxuga o rosto, estica o pescoço e vê Ivy sentada na cama, enrolada nas cobertas, com o rosto vermelho.
— Oi, astronauta — ela diz, sorrindo sem graça. — Desculpa te assustar.
Oliver me olha, depois olha para Ivy, depois para mim de novo.
— O que você tá fazendo aqui, Ivy? — pergunta, franzindo as sobrancelhas.
— Eu… — ela hesita, mordendo o lábio. — Estava muito frio no meu quarto e… vim aqui buscar mais cobertas. Mas seu pai só tinha uma, então… dividimos.
Oliver continua me encarando, claramente tentando entender.
— Tá — diz, devagar. — Mas por que você tá só de coberta?
Ivy fica ainda mais vermelha.
— Porque… é mais quentinho assim? — tenta, mas a voz sai pouco convincente.
Passo a mão pelo rosto, tentando não rir.
— Oliver, desce e espera a gente na sala, tá bom? — digo, colocando a mão no ombro dele. — Já vamos descer.
— Tá bom — ele murmura, ainda confuso, mas obedece.
Assim que ficamos sozinhos, Ivy solta o ar e se j**a de costas na cama, cobrindo o rosto com as mãos.
— Meu Deus — ela murmura. — Isso foi horrível.
— Horrível foi sua desculpa — respondo, me sentando na beirada da cama. — “Estava muito frio”. Sério?


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