“Ivy Collins”
Encaro as malas ao lado da porta, já prontas para irmos embora amanhã cedo, e sinto um nó na garganta.
É como se os últimos três dias tivessem sido só um sonho, e agora a realidade nos espera pacientemente do lado de fora daquela porta.
Oliver continua deitado ao meu lado, com os olhos grudados na televisão, onde astronautas flutuam em gravidade zero. Lucas está sentado do outro lado, mas não parece muito interessado no desenho.
Suspiro, tentando afastar os pensamentos, e, assim que viro o rosto para voltar a assistir ao desenho, sinto algo macio acertar meu rosto.
Pisco, confusa, e vejo Lucas e Oliver me encarando com aquela falsa inocência ensaiada.
— Sério? — pergunto, pegando o travesseiro no colo.
— Não fomos nós — Lucas diz, mas o canto da boca dele treme, tentando segurar o riso.
— Foi o vento! — Oliver completa, já pegando outro travesseiro.
— Ah, foi o vento? — repito, levantando o travesseiro na direção deles.
Oliver grita, rindo, e corre para trás do sofá. Lucas se levanta, ainda fingindo inocência, e é o primeiro a receber a travesseirada.
— Agora você pediu — ele diz, pegando outro travesseiro.
É aí que o caos se instala.
Oliver ri tanto que mal consegue se manter de pé. Lucas me vê como alvo fácil, me acertando umas cinquenta vezes, e eu caio no sofá dramaticamente sempre que o pequeno me acerta.
Não faço ideia de quanto tempo a bagunça dura, mas terminamos a guerra de travesseiros jogados no chão, rindo tanto que a barriga dói.
— Desisto! — grito, entre risadas. — Vocês ganharam!
— Vitória! — Oliver comemora, levantando os braços.
Ficamos assim por mais alguns minutos, apenas rindo, até que Oliver finalmente boceja. Pouco depois, ele está com os olhos fechados, dormindo.
Lucas se levanta devagar, pega o pequeno no colo com cuidado e o leva para o quarto. Quando volta, estendo a mão para ele, que me puxa do sofá.
— Banho? — sugere, beijando meus lábios.
— Parece perfeito.
⋆ ˚。⋆୨୧˚
A água quente relaxa cada músculo do meu corpo, enquanto me encosto nas costas de Lucas, que está quieto demais desde que entramos na banheira.
— Você está assim porque voltaremos amanhã? — pergunto, virando a cabeça para olhá-lo.
— Também — admite, passando os dedos devagar pelo meu braço. — Mas… eu estava pensando que não sei quase nada da sua vida, Ivy.
— Como assim?
— Eu sei o básico — explica, beijando meu ombro. — Sua mãe, seu irmão, a dívida. Mas… como você chegou até aqui? Quem é você além de tudo isso que aconteceu?
Fico em silêncio por um momento, processando a pergunta. Ninguém nunca me perguntou isso antes. As pessoas sempre presumem que sabem tudo só porque conhecem os fatos principais.


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