A manhã chega bem mais rápido do que eu gostaria, e acordo com aquela sensação de só ter piscado os olhos.
Me espreguiço e me sento na cama, no mesmo instante em que sinto o cheiro de café e ouço Oliver cantarolando alguma música do desenho de astronautas.
Levanto, vou até o banheiro, lavo o rosto e desço as escadas.
Quando chego à cozinha, Lucas está em frente ao fogão, preparando o café da manhã, enquanto Oliver está sentado no balcão, balançando as pernas.
— Bom dia, dorminhoca — Lucas diz, sorrindo quando me vê.
— Bom dia — murmuro, meio envergonhada. — Dormi demais. Você poderia ter me acordado.
— Você parecia cansada depois de… ontem à noite.
Meu rosto esquenta instantaneamente, e desvio os olhos para Oliver, que, graças a Deus, não ouviu o pai.
— Ivy! — ele exclama, animado, apontando para o prato à sua frente. — O papai fez panquecas, olha!
— Humm… isso parece apetitoso — digo, observando a pilha dourada no prato.
— E é! O papai faz as melhores panquecas do mundo inteirinho!
Lucas ri, se aproximando para servir os ovos mexidos, e logo estamos sentados à mesa para tomar café.
Alguns minutos depois, por mais que eu coma na velocidade de uma lesma, terminamos. Subo para ajudar Oliver a se vestir enquanto Lucas coloca as malas no carro.
— Já vamos embora? — ele pergunta, fechando o casaco.
— Sim, astronauta. Precisamos voltar.
Ele assente, mas vejo a tristeza nítida nos olhos.
— Vou sentir falta daqui.
— Eu também — admito, ajeitando o gorro na cabeça dele. — Mas seu pai prometeu que vamos voltar sempre que você quiser, lembra?
Isso parece animá-lo. Ele assente, pega o dinossauro de cima da cama e corre para as escadas.
Suspiro e saio do quarto, observando tudo ao redor enquanto desço.
Quatro dias não foram suficientes para fingir que essa calmaria poderia ser minha.
E agora… de volta à realidade.
⋆ ˚。⋆୨୧˚
A viagem de volta para Manhattan é tranquila. Oliver adormece no banco de trás, com o rosto colado na janela, e fico observando a paisagem mudar conforme nos aproximamos da cidade.
Lucas mantém uma mão no volante e a outra apoiada na minha coxa, desenhando círculos distraídos.
— No que está pensando? — ele pergunta, quebrando o silêncio.
— Que a realidade está nos esperando — respondo, sincera.
— Imaginei — diz, apertando minha pele de leve. — Mas prometo que nada vai mudar.
Assinto, querendo muito acreditar nele.
Quando chegamos ao apartamento, já é quase hora do almoço. Oliver acorda assim que Lucas desliga o carro e olha ao redor, confuso.
— Já chegamos? — pergunta, esfregando os olhos.
— Já, campeão — Lucas responde, abrindo a porta traseira.
Subimos com as malas, e Oliver corre direto para o novo quarto. Logo ouço a voz animada dele vindo do corredor.
— Papai! Ivy!
Lucas e eu trocamos um olhar antes de segui-lo.
Diferente de quando chegamos, Oliver está no meio do quarto, observando cada canto, como se estivesse vendo tudo pela primeira vez.
— Posso deixar meu quarto igualzinho ao meu quarto de antes? — ele pergunta, empolgado.
— Pode — Lucas responde, encostado no batente da porta. — Mas na casa nova. Não vamos ficar aqui por muito tempo.

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