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A filha do meu padrasto romance Capítulo 196

RODRIGO

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Eu já estava no portão de saída do condomínio quando uma dúvida me atravessou feito uma flecha. No canto do estacionamento de visitantes, algo me chamou atenção. Um carro...

Não era qualquer carro. Era exatamente igual ao da Yanka. Mesmo modelo, mesma cor, até os vidros pareciam com os dela. Mas eu já estava no fluxo da saída e não dava mais tempo de dar ré, parar e checar a placa.

O pensamento me perseguiu como uma sombra incômoda, se colando à memória do cheiro que senti no apartamento da Melissa, um cheiro que não era dela, um cheiro que eu conhecia...

— Não... não pode ser. Será...?

Falei baixinho, como se minha própria voz tivesse medo da resposta.

Não podia ignorar aquilo. A hipótese começou a latejar na minha mente, me atormentando, então dirigi direto para a casa do Demétrio. Ele não sabia que eu tinha sido solto, mas naquele momento ele era a peça que faltava para eu montar o quebra-cabeça.

Assim que toquei a campainha, não demorou muito até a Rayssa abrir a porta, porém, ela não parecia surpresa ao me ver.

Rayssa: Demétrio, você tem visita.

Ela gritou e deu as costas para mim sem nem me cumprimentar.

— Qual é, Rayssa? Vai me perdoar quando?

Rayssa: Quando você construir uma máquina do tempo e voltar antes de fazer tanta merda.

— A Mel já me perdoou. Só falta você. Se você tivesse esperado um pouquinho mais, a gente teria se encontrado lá.

Eu sorri amigavelmente e já estava esperando um "Do que você está falando?", mas, ela acabou confirmando exatamente o que a Mel disse.

Rayssa: Ah, você foi lá hoje? Então Deus também te perdoou, porque se eu ainda estivesse lá, eu teria arrebentado sua cara. Sorte a sua eu ter saído de lá antes. Que livramento né?!

Antes que eu pudesse dar uma resposta afiada, o Demétrio apareceu...

Demétrio: Não brinca? Caralho, não acredito. Você foi solto e não me falou, seu filho da...Laura!

Eu comecei a rir e ele me abraçou forte.

Ele bufou, mas não falou mais nada. Ele foi para a empresa, e eu fui atrás da Yanka.

Eu tentei ligar para o celular dela algumas vezes, mas ela não atendeu, o que foi bem estranho, pois a Yanka não costumava acordar tarde, então decidi ir até o apartamento dela.

Quando eu estava passando pela orla, me deparei com uma cena que fez o meu coração bater forte, foi algo que me fez sentir raiva, mas, uma raiva controlável.

Eu sabia bem que eu estava em um processo difícil de me reconectar com o homem que eu sempre fui para a Melissa, para ser esse mesmo homem com a Yanka, e o tempo que passei na prisão, sem notícias dela, imaginando mil e uma possibilidades, me fez entender que não era a minha fúria que faria dela, minha.

Eu estacionei o carro e respirei fundo antes de ir ao encontro dela e do Matheus, que estavam conversando no calçadão.

Confesso que o fato de verem eles conversando, acendeu um alerta em mim, pois para mim, a história dos dois já havia terminado, mas talvez não, já que ela não quis conversar sobre ele na noite anterior.

Eu tive poucos segundos para pensar se eu falaria com ele ou o ignoraria, e achei mais inteligente cumprimentar, afinal, eu precisava mudar as armas, e apesar dele não me responder, eu não me arrependi de ter feito isso.

Pedi para conversar com a Yanka, e ela foi fria, grossa e eu senti uma mistura de desapontamento e irritação, mas respeitei a decisão dela, e deixei em aberto a conversa que precisávamos ter, o Matheus adorou presenciar aquilo.

Voltei para o meu carro, sendo confrontado por mim mesmo, afinal, aquele era o tratamento que eu receberia da Yanka a partir de então? Porque se fosse, eu preferiria ficar sozinho.

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