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A filha do meu padrasto romance Capítulo 197

MELISSA

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O meu apartamento finalmente voltou a ser o refúgio calmo e silencioso de sempre, depois que o Rodrigo e a Yanka foram embora. Mas por dentro, a minha mente gritava como uma sirene desgovernada.

O silêncio ao meu redor era uma ironia cruel, porque dentro de mim, era puro caos. E como sempre que estou prestes a surtar, pensei...Preciso falar com a Rayssa.

Peguei o celular com as mãos ainda trêmulas, ela atendeu na terceira chamada, com aquela voz mole de quem ainda estava abraçada com o travesseiro.

Ray: Melissa... me dá um bom motivo pra eu não te agredir verbalmente agora?

— A Yanka acabou de sair daqui.

O silêncio durou meio segundo. Em seguida, o barulho de algo se espatifando no chão estourou no meu ouvido.

Ray: O QUÊ?!

— Acordou?

Provoquei.

Ray: PORRA, MELISSA! É ASSIM QUE VOCÊ ME ACORDA? EU TÔ COM UMA UNHA ENCRAVADA E TU ME J**A UMA BOMBA DESSAS?!

Fiquei pensando o que uma coisa tinha haver com a outra?!

— O Rodrigo também estava aqui...

Ray: QUE TRAGÉDIA, MEU DEUS DO CÉU! MAS QUE PORRA TÁ ACONTECENDO NESSE CARALHO, EM PLENA MADRUGADA?! É A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM?

— Quer parar de gritar?

Pedi, massageando a testa.

— Você tá me deixando mais nervosa do que eu já tô.

Ray: Melissa, quem foi o infeliz que soltou esse vagabundo? Ele devia estar comendo marmita azeda na prisão, isso sim!

— Eu não sei dos detalhes... Ainda tô tentando processar o que aconteceu.

Ray: Respira e me explica tudo. Mas do começo, sem pular as partes boas.

Comecei a contar, tentei manter uma linha lógica, mas minha cabeça ainda estava confusa, então a narrativa saía toda remendada.

A Rayssa ouvia e a cada frase, soltava uma sequência de palavrões inéditos, alguns que, sinceramente, eu nem sei se eram xingamentos ou elogios disfarçados.

Ela ainda não tinha perdoado o Rodrigo, isso era nítido. E, no fundo, eu sabia, ela ainda se culpava por ter apresentado ele pra mim, e talvez fosse esse peso da culpa que alimentava tanto rancor. Ou talvez ela só quisesse mesmo socar a cara dele e pronto.

A risada escapou antes que eu conseguisse conter. A Rayssa era um fenômeno raro, conseguia ser hilária mesmo cuspindo fogo pelas ventas.

— Depois a gente se fala. Beijos. Te amo.

Ray: Também te amo, sua sonsa. Ela resmungou antes de desligar na minha cara.

Encerrei a chamada ainda sorrindo, mas o sorriso logo se desfez. A verdade é que a Rayssa não ajudou em nada. E no fundo, eu também não queria conselhos, queria apenas alguém que segurasse minha mão emocionalmente enquanto eu surtava. Mas até isso ela fazia do jeito dela, com palavrões, ironias e frases absurdas que, de alguma forma, me ajudavam a respirar melhor.

Voltei meu foco pro apartamento, comecei a organizar as almofadas, limpei a bancada da cozinha, dobrei a manta do sofá, tudo numa tentativa desesperada de afastar os pensamentos sobre o que tinha acabado de acontecer. Mas era impossível.

Rodrigo, Yanka, a história toda... parecia um buraco negro tentando sugar a minha paz.

No meio dessa bagunça emocional, percebi que tinha várias mensagens do Diego no celular. Também ligações perdidas, e eu suspirei, culpada.

— O que eu vou dizer pra ele?

Eu sequer sabia se deveria contar tudo. Como explicar que o meu ex, recém-solto, tinha aparecido aqui? Como contar que ele estava com a Yanka, que me pediu ajuda, e que eu... ajudei? E por quê?

O Diego era a minha nova realidade, eu repetia pra mim mesma, como um mantra. Ele era tudo o que eu queria. Tudo o que eu precisava.

Mas no fundo... algo ainda estava fora do lugar dentro de mim.

E talvez, só talvez, eu ainda estivesse tentando descobrir o quê.

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