A atmosfera no quarto ficou pesada e silenciosa. Após um longo momento observando-a em silêncio, Ricardo afastou a mão dela com calma e se levantou.
— Se precisar de alguma coisa, chama o segurança. — Disse ele antes de sair do quarto.
Vanessa o observou partir com os olhos vermelhos, os dedos apertando o lençol com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Ela tinha certeza de que, se ele acreditasse que tinha sido ela quem o salvou naquela noite, voltaria a tratá-la de forma especial, como antes. Mas, para sua surpresa e frustração, ele não parecia nem um pouco feliz com a revelação. Muito pelo contrário, era como se ele não quisesse que fosse ela quem o tivesse salvado.
Ricardo saiu do hospital, entrou no carro e recebeu uma ligação de Fernanda informando que havia encontrado Catarina. Ele não voltou para Bela Vista e foi direto resolver aquele assunto pendente.
Catarina havia fugido de volta para a cidade depois do ocorrido e ficou escondida até acabar com todo o dinheiro que tinha. Sem escolha e sem recursos, voltou para Oeiras procurar a cunhada, sua última esperança.
Naquele momento, ela estava sentada num reservado de restaurante, toda encapotada com lenços e óculos escuros, com medo de ser reconhecida por alguém. Quando Michele entrou no ambiente, Catarina tirou finalmente o lenço e se levantou com pressa.
— Michele! Que bom que você veio!
— Você ainda tem coragem de me chamar? — Michele não deu trégua, sua voz carregada de irritação. — Você e o Pedro são dois idiotas! Aprontaram essa bagunça toda e quase arrastaram seu cunhado junto nessa confusão!
— Michele, o Pedro é seu irmão! Como você pode falar assim dele... — Protestou Catarina, magoada.
— Quando ele foi preso, a família já deserdou ele. Não existe mais essa história de irmão. — Disse Michele friamente enquanto se sentava. — Afinal, a gente não pode dar esse tipo de vexame publicamente.
— Não é que vocês não podem dar vexame, é medo de atrapalhar a reeleição do seu marido, não é? — Catarina deixou a amargura transbordar. — Somos todos família. Precisava chegar nesse ponto de abandonar todo mundo?
Catarina havia segurado essa mágoa por muito tempo, e agora soltava tudo sem filtro algum.
Michele não respondeu. Naquele momento, o segurança abriu a porta do reservado de forma abrupta.
Fernanda entrou sem pressa, com passos calmos e calculados, e acenou levemente para Michele com um sorriso cortês.
Antes que Catarina pudesse processar o que estava acontecendo, Michele pegou a bolsa com pressa, levantou-se e sorriu para Fernanda com educação forçada.
— Srta. Fernanda, então vou indo. Boa sorte com seus assuntos.
Catarina se levantou de um salto, incrédula.
— Michele! Você me traiu! Você me entregou para eles!
Mas Michele já tinha saído do reservado sem sequer olhar para trás, deixando a cunhada sozinha. A porta foi imediatamente bloqueada pelos seguranças que se posicionaram na entrada, e Catarina percebeu que estava encurralada, sem qualquer saída possível.
Pouco depois, Ricardo entrou no reservado com passos calmos e medidos, sua presença dominando todo o ambiente.

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