CAPÍTULO 90
Alexander Caruso
Com a cabeça e o corpo doendo, eu abri os olhos devagar. Senti a Laura em cima de mim, e senti um certo conforto de senti-la ali.
Levei a minha mão de encontro com a dela que estava em cima do meu peitoral, e até o seu cheiro me deixou melhor. Foi então que me lembrei que não tive um pesadelo, o que aconteceu foi real e me sentei imediatamente.
Laura acordou assustada, me segurando e me olhando diferente. “Ela dormiu ali comigo?“ — pensei.
— Alex! Como se sente? — perguntou me olhando.
— Uma marionete! A sua família me privou de tudo, e por mais que saibam que Salvatore está errado, não me deixaram vingar o meu pai! — ela acariciou o meu braço que segurou, e olhei a nossa volta.
— Alex... você vai matá-lo? Mesmo se o Don não autorizar?
— Vou.
— Você sabe que ele é da nossa família, não sabe?
— Sei. Não podem matá-lo! — falei firme.
— Exatamente. Ele não nos traiu, e esse seria o único motivo para permitirmos, mas ele nos salvou, meu pai está conversando com ele agora, e pelo que tudo indica... seu pai ele...
— Para! Você e Katy são as únicas pessoas que posso confiar, se ficarem contra mim eu não sei o que vou fazer! — falei firme, ela abaixou o olhar, notei que suas mãos voltaram a ficar trêmulas.
— Não voltou a ter raiva de mim? Afinal, você estava certo... um membro da minha família tirou a vida do seu pai! — pela primeira vez, vi Laura de olhos para o chão, então ergui o seu queixo.
— Você é a minha esposa de verdade, agora! Mesmo que a sua família toda mereça morrer, ainda te protegerei e cuidarei de você. Mesmo que queira dizer que não precisa, não diga! Me deixe pensar que tenho uma mulher que posso proteger! Eu não fiz isso pela minha mãe, não fiz pelo meu pai, e agora só quero ter você comigo! A Katy vai se casar com alguém que confio de olhos fechados, e... não quero te perder! — olhei para o fundo dos olhos dela, encontrei um brilho que eu ainda não havia visto.
— Então não me quer para vingança, mais?
— Laura... — levantei da cama dura do reduto e fiz algo que nunca fiz na vida, nem mesmo para o meu pai. Me ajoelhei na frente dela e segurando a sua mão eu disse: — Lembra quando você me disse que eu ainda pediria perdão de joelhos? — ela ficou em choque, mal respirava. — Me perdoa!? Eu não esqueci!
— LAURA, ME DEIXA IR! — falei alto. Então vi que haviam lágrimas no rosto dela. — Confia em mim, Laura! Eu não vou conseguir viver com isso, preciso matá-lo e também a Anita! — ela deu a volta na cama.
— Tio Salvatore disse que haviam provas. É você quem vai confiar em mim, agora! Estou do seu lado, vou te provar. Se ele não provar o que disse, te dou a minha palavra que eu mesma enganarei a todos e te darei o meu tio de presente. — tentei soltar a algema.
— Porquê está fazendo isso, Laura? Você mentiu? Não me perdoou? — ela pegou outra algema e se aproximou.
— Pelo contrário... seria o momento propício para me livrar de você. Perderia meu tio, mas estaria viúva. Não se engane, Alex! Eu também quero ficar com você, se confiar em mim posso te dar o mundo, Alex... se o seu pai foi injustiçado, eu vou até no inferno, mas dou um jeito de matar o diavolo e trazer o assassino pra você! — ergui o outro pulso e ela arregalou os olhos.
— Anda logo, maledetta! Me convenceu, não me decepcione! — Laura veio bem perto, fechei os olhos quando ela me tocou, então num movimento rápido a peguei desprevenida, a prendi nos meus braços, a deixando de costas pra mim. — Me apaixonei por você, Laura... se algo der errado, saiba que me matará! — eu mesmo fechei a outra algema, então ela virou de frente e me olhando nos olhos me beijou.
O calor do seu corpo foi como um remédio pra mim. Preferi não pensar em mais nada, fechei os meus olhos e viajei naquele beijo, naquele corpo gostoso que preencheu os meus braços, e aqueceu meu coração, me fazendo sentir coisas estranhas e trazê-la para mais perto.
As minhas mãos passaram pelas suas costas, perto da cintura, onde as algemas me permitiam tocar, mas já foi o suficiente para sentir o seu calor. Me senti vulnerável, mas se eu não dissesse o que sentia e não confiasse nela, não daria motivos para que confiasse em mim.
A sua boca macia me fez esquecer o tempo que estávamos ali, seu gosto doce e beijo delicado me fizeram pensar que se ela estivesse certa ou errada, já não me importava, desde que estivesse do meu lado...

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